Os Certificados de Aforro estão a ditar o preço do dinheiro pago aos aforradores. O benchmark de Setembro, com 157 produtos analisados entre os 3 e os 36 meses, deixa pouca margem para dúvida. No topo de todos os prazos, sem exceção, está o Estado com uma taxa de juro de 2,50% a 3 meses e a 2,69% a 3 anos. Os Certificados de Aforro Série F funcionam assim como um teto que os bancos só conseguem igualar quando pagam para captar dinheiro novo e 100% digital. Foi o que fez o Bankinter, com 2,50% no Depósito Digital (3 meses) e no Boas Vindas Net (6 meses).
A dívida pública de retalho continua a oferecer as rentabilidades mais atrativas para as poupanças em Portugal, ultrapassando de forma consistente a remuneração média praticada pelos principais bancos comerciais. Numa altura em que o setor bancário se mantém confortável em termos de liquidez e sem incentivos para acelerar a subida dos juros, os Certificados de Aforro destacam-se como a opção mais rentável e acessível para o pequeno investidor.
Em julho, apenas o BPI e o Millennium BCP aumentaram as suas taxas de juro face ao mês anterior. No prazo a 3 meses, o Bankinter continuou a liderar o mercado com as melhores condições através de dois produtos para novos clientes/capitais: o “Boas Vindas Net” e o “Top Premier”. Já no prazo a 6 meses, a CGD manteve a remuneração mais atrativa para novos clientes, embora limitada a um montante máximo de 5.000 euros.
Segundo os dados do Benchmark de Taxas de Juro dos Depósitos a Prazo e Contas Poupança, a taxa anual nominal bruta (TANB) média dos depósitos a prazo nos cinco maiores bancos a operar no país — Caixa Geral de Depósitos, Millennium BCP, Santander, Novobanco e BPI — varia entre uns modestos 0,98% e 1,58%. Em sentido oposto, a Série F dos Certificados de Aforro parte de uma taxa base de 2,50% no trimestre inaugural, podendo atingir uma TANB máxima de 2,69% à medida que se acumulam os prémios de permanência ao longo dos anos.
No segmento dos depósitos a curto prazo, a três meses, a banca privada ensaia alguma concorrência, mas através de ofertas condicionadas. O Bankinter lidera este horizonte com o Depósito Digital a fixar uma TANB de 2,50%, igualando a taxa inicial dos títulos de dívida pública, no entanto a proposta exige montantes entre 5.000 euros e 50.000 euros, aplicando-se exclusivamente a novos capitais movimentados em canais digitais.
Na banca pública, a Caixa Geral de Depósitos disponibiliza o Depósito App 3 meses com uma TANB de 1,80%, enquanto instituições como o Santander e o BPI mantêm a generalidade da sua oferta de entrada posicionada entre os 1,00% e os 1,20%.
A fotografia a 3 meses é a melhor para o Crédito Agrícola. O Net Super, a 1,75% TANB, coloca o banco no top 5 do prazo e 55 pontos base acima da mediana de mercado de 1,20%. É uma oferta de aquisição, ancorada aos canais CA Online e CA Mobile e a novos clientes, e cumpre o seu papel de isca. O problema começa logo a seguir. O mesmo banco tem o Net a 1,50% e o Rende Já também a 1,50%, e ainda três produtos de balcão — Normal, Mulher e Emigrante — todos a 0,70%. O cliente vê 1,75% na campanha, mas o preço de balcão é menos de metade.
O aforrador que fique num banco tradicional como CGD, BPI, Santander ou Novobanco está a aceitar, no caso mediano, menos 130 pontos base do que receberia no Estado. Mesmo as melhores ofertas de mass market, como o Depósito App 3 meses da CGD a 1,80% ou o Net Super da Caixa Agrícola a 1,75%, ficam 70 a 75 pontos base aquém.
No prazo a seis meses, a 12 e a 18 meses
À medida que o prazo alonga, a distância para os Certificados de Aforro torna-se penalizadora. A 6 meses, por exemplo, a Caixa Agrícola paga 1,40% no Net, exatamente a mediana do mercado, mas 110 pontos base abaixo dos Certificados de Aforro e dos 2,00% que Montepio e CGD oferecem nos seus produtos de novos depósitos.
Neste prazo, o mercado tem 54 produtos, a maior amostra de todo o benchmark, mas a hierarquia é idêntica.
Os Certificados de Aforro mantêm os 2,50% no topo, acompanhados novamente pelo Bankinter a 2,50% no Boas Vindas Net e 2,25% no Top Premier. A partir daí, a curva desaba para 2,00% no Montepio Novos Capitais e no DP Caixa Novos Recursos da CGD, e rapidamente para a mediana de 1,40%. O Santander, o maior banco privado em Portugal, paga 1,15% a 6 meses no seu melhor produto. O BPI fica-se por 1,25%. A diferença para os Certificados é, nestes casos, de mais de 125 pontos base.
A 12 meses, enquanto os Certificados de Aforro pagam 2,52% e o Depósito Mais Valor da CGD paga 2,50%. O Millennium BCP, com o APP oferece 1,75% condicionado a domiciliação de ordenado. O Net d0 Crédito Agrícola desce para 1,30%, já abaixo da mediana de 1,325%.
A 18 meses só há quatro produtos no benchmark. Os Certificados de Aforro pagam 2,52%. O melhor banco, o Montepio com o Poupança Super, paga 2,00%.
Nos prazos a alargados a oferta dos bancos baixa
A vantagem dos produtos do Estado torna-se ainda mais evidente em prazos alargados, de dois a três anos, período no qual as tabelas da banca tendem a reduzir os depósitos oferecidos. A 24 meses e a 36 meses, onde já só contam 13 e 10 produtos respetivamente, o Estado volta a subir, para 2,64% a 2 anos e 2,69% a 3 anos. Os Certificados do Tesouro acompanham a 2,45% nos dois prazos. O melhor banco a 2 anos é o Montepio a 2,25% e a 3 anos o mesmo Montepio a 2,30%. Destaca-se ainda o Novobanco com o Depósito a Prazo Não Mobilizável 2 anos a fixar 2,10%. Ou seja, mesmo alongando até três anos e aceitando mobilização condicionada, o aforrador bancário continua a receber menos do que receberia nos Certificados de Aforro.
Ainda assim, estas propostas permanecem abaixo do rendimento máximo escalonado da Série F dos Certificados de Aforro e dos Certificados do Tesouro, estes últimos com taxas entre 2,35% e 2,45%.
Para além do fosso nas taxas de juro, o acesso ao rendimento impõe barreiras adicionais no sistema bancário. Enquanto as remunerações bancárias superiores a 2,00% exigem frequentemente a adesão de novos clientes — como no Depósito Boas Vindas Net do Bankinter a 2,50% —, a aplicação de novos capitais ou a subscrição de montantes mínimos elevados, os Certificados de Aforro mantêm a sua vocação democrática. Com um valor de subscrição inicial fixado nos 100 euros, sem necessidade de contrapartidas em produtos associados e com liquidez total garantida após o primeiro trimestre, a dívida pública consolida a sua posição como o destino preferencial para a preservação de capital no mercado nacional.
O que o mês de Setembro confirma é que os bancos portugueses desistiram de competir por prazo com o Estado e passaram a competir entre si por liquidez nova e por canal. As taxas acima de 2,00% só aparecem com duas condições: novos capitais e subscrição digital. Quando essas condições caem, a oferta recua para entre 0,70% e 1,50%, consoante o banco e o montante. É por isso que o spread entre o topo e a mediana é tão elevado e por isso que os Certificados de Aforro continuam a ser, na prática, o benchmark do mercado.
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Depósitos a Prazo (Banca Comercial): A taxa de juro (TANB) varia entre 0,05% (valor mínimo observado na oferta regular dos grandes bancos) e 2,50% (valor máximo praticado em campanhas pontuais ou promocionais de captação).
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Certificados de Aforro (Série F): A taxa de juro (TANB) varia entre 2,50% (taxa base inicial no primeiro trimestre) e 2,69% (taxa máxima alcançada com a inclusão dos prémios de permanência ao longo do prazo).
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Média dos Depósitos Bancários: 1,31% (TANB)
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Média dos Certificados de Aforro: 2,56% (TANB)