A Associação Portuguesa de Empresas de Produtos de Marca (Centromarca) pede que as autoridades competentes analisem a criação da CINDIA, central de compras do Intermarché e do Grupo Dia, temendo riscos concorrenciais que “podem prejudicar os fornecedores e consumidores”.
Em comunicado, a Centromarca informa que enviou esta semana uma exposição às autoridades competentes para acompanharem de perto a criação da CINDIA e que pediu um encontro com os responsáveis a fim de esclarecer algumas questões sobre a nova central de compras.
Em causa podem estar, tal como aconteceu em França, “potenciais práticas penalizadoras que decorrem deste tipo de alianças – e que poderão apresentar riscos concorrenciais que podem prejudicar os fornecedores e consumidores, além de se estar a proceder a uma reorganização do mercado da distribuição em Portugal sem que ocorra o necessário escrutínio”, considera a associação representante das marcas fornecedoras da grande distribuição.
“Estas alianças de compradores tendem a limitar a concorrência entre insígnias e a reduzir a diferenciação de marcas nas prateleiras. Por outro lado, alianças deste tipo pretendem obter vantagens negociais na relação com os seus fornecedores, sem, geralmente, preverem quaisquer contrapartidas efetivas e acabando por ter como consequência a exclusão de fornecedores de menor dimensão. Estas situações funcionam, também, como um forte desincentivo à inovação e ao investimento”, afirmou Pedro Pimentel, diretor geral da Centromarca, em comunicado.
Ainda que seja garantido pelas duas empresas que as estratégias comerciais vão manter-se totalmente independentes, a Centromarca teme que “não seja possível manter a confidencialidade associada à relação contratual estabelecida por cada uma das empresas fornecedoras junto daqueles dois distribuidores”.
“Os contactos dos fornecedores do Intermarché e do Grupo Dia estão a ser todos direcionados para a central de compras CINDIA. Tendo em conta esta indicação, será muito difícil para as duas empresas manterem a confidencialidade de informação, uma vez que utilizam o mesmo ponto de contacto na relação com os fornecedores e esse contacto é efetuado por quadros que transitam daqueles operadores”, refere Pedro Pimentel.
No final de maio, o Intermarché e Grupo Dia anunciaram a criação da CINDIA.
Em nota enviada à imprensa, as entidades frisaram, na altura, que “manterão a independência nas respetivas estratégias comerciais, nomeadamente no que respeita a política comercial e a gestão das redes próprias de pontos de venda”.
“A CINDIA está mandatada para negociar em exclusivo, já no corrente ano, com os maiores fornecedores de produtos de marcas nacionais e internacionais. O mandato de negociação não abrange os produtos frescos tradicionais de origem agrícola e os produtos da pesca, nem, tão pouco, as negociações com pequenas e médias empresas”, referiram.
O objetivo da plataforma comum passa por “otimizar as condições de aquisição para ambas as insígnias, melhorando em simultâneo a oferta de serviços aos fornecedores”, segundo o Intermarché e Grupo Dia.
OJE/Lusa