Catarina Martins acusa PS de fazer crescer a extrema-direita

A líder bloquista, que anunciou a não recandidatura à liderança do partido, acusou os socialistas de enveredarem por uma estratégia que “até pode garantir resultados eleitorais a curto prazo mas a longo prazo está a fazer crescer a extrema-direita”.

Catarina Martins acusa PS de fazer crescer a extrema-direita
Catarina Martins BE Bloco

Catarina Martins, coordenadora do Bloco de Esquerda que anunciou a não recandidatura a um novo mandato, acusou o Partido Socialista de fomentar o crescimento da extrema-direita.

Em entrevista à Antena 1, espaço onde fez o balanço dos onze anos de mandato à frente dos bloquistas e abordou o futuro do partido, Catarina Martins criticou os socialistas por fazer algo que a líder política apenas esperava por parte da direita.

“Se é verdade que a direita tem uma posição dúbia sobre a extrema-direita que é racista e está a cavalgar a divisão social para tentar crescer e que até prefere isso a discutir os problemas do país para deixar intocados os grandes interesses económicos, não é menos verdade que o PS está a fazer o mesmo”, referiu Catarina Martins.

Para a líder bloquista, o PS “faz do Chega o medo da esquerda para ter o seu seguro de maioria absoluta” e, por outro lado, na política económica e social, os socialistas “fazem com que as condições de vida no país sejam mais difíceis” e “cria essa divisão social”.

No entender de Catarina Martins, essa estratégia do PS “até pode garantir resultados eleitorais a curto prazo mas a longo prazo está a fazer crescer a extrema-direita”. Para a ainda líder do Bloco, “a extrema-direita não se combate apenas com frases anti-racistas e anti-homofóbicas e feministas, mas faz-se pela política económica que cria coesão social e dá credibilidade à democracia. Quando o PS desaponta todo um povo que sente a sua vida cada vez mais difícil, é o PS que faz crescer a extrema-direita”.

Catarina Martins anunciou esta terça-feira a decisão de deixar a liderança do Bloco de Esquerda na próxima Convenção Nacional do partido. A líder do partido confirma, assim, que não se vai recandidatar ao cargo que assumiu em dezembro de 2014. “Estes dez anos foram um tempo extraordinário. Pusemos a direita fora do Governo. O Partido Socialista foi obrigado a assinar um acordo escrito sobre políticas de governação. O país respirou de alívio; iniciámos a recuperação da vida de quem trabalha”, disse a líder do BE em conferência de imprensa esta manhã.

Relacionado

Livre, PCP e BE exigem que ministro assuma responsabilidades ao invés de culpar professores

Livre, PCP e BE exigem que ministro assuma responsabilidades ao invés de culpar professores

Em declarações aos jornalistas na Assembleia da República, a deputada do Livre Filipa Pinto considerou “inacreditável que o senhor ministro mais uma vez não assuma as suas responsabilidades”, depois de Fernando Alexandre ter afirmado esta manhã que faltam professores para classificar os exames nacionais de algumas disciplinas, apelando à disponibilidade dos docentes.