Vai haver menos dinheiro no próximo ciclo de fundos europeus (2028-2034) para a coesão e mais para a competitividade, avisou o ministro da Economia esta quarta-feira, apelando para que as empresas se organizem para lutar por esse dinheiro.
“Acredito que muitos de vós já tomaram consciência de que haverá menos dinheiro para a coesão e mais para a competitividade no próximo ciclo de fundos europeus”, disse Manuel Castro Almeida durante a apresentação dos prémios Inovação na Internacionalização, da Cotec, que teve lugar na sede do Santander, em Lisboa. “Haverá um fundo para a competitividade, que vai ter uma dotação enorme, superior a 400 mil milhões de euros” para toda a União Europeia “e é bom que as empresas portuguesas comecem a pensar como é que se vão organizar para se candidatarem a estes fundos europeus”, afirmou o ministro.
“Vai haver menos dinheiro garantido para Portugal e para outros países da Europa. E haverá maior competição à escala europeia pelos grandes fundos da competitividade”, sublinhou. Castro Almeida avisa que se nada for feito, “em condições normais, este dinheiro irá maioritariamente para as grandes empresas e grandes universidades do centro da Europa”.
“Só temos condições de competir se nos aliarmos”, acrescenta o ministro, apelando às empresas para que apresentem candidaturas ao fundo de inovação europeu, “porque vai ter, de facto, um valor muito relevante” no apoio às empresas.
A discussão sobre como gastar o dinheiro da UE ainda tem muito caminho pela frente até ao final do ano, opondo os estados-membros mais ricos aos países da coesão, entre os quais se inclui Portugal.
Neste momento, não se sabe até onde irão os cortes, nem tão-pouco qual será o resultado do braço de ferro com Estrasburgo — que tem direito de veto e promete lutar por um orçamento de 2 biliões de euros, sem abdicar de mais dinheiro para a agricultura, políticas sociais e coesão.