Cabo Verde recebe seleção em festa no Dia da Independência

A formação foi recebida como uma campeã depois de ter dado luta à Argentina, detentora do troféu, na sexta-feira, levando o jogo dos dezasseis avos de final para prolongamento, antes de ser eliminada pelos sul-americanos por 3-2.

Cabo Verde recebe seleção em festa no Dia da Independência
Cabo Verde seleção mundial 2026

O 51.º aniversário da independência de Cabo Verde está hoje a ser festejado com a receção aos Tubarões Azuis na capital, cidade da Praia, com a população a saudar a equipa após a participação no Mundial 2026.

A formação foi recebida como uma campeã depois de ter dado luta à Argentina, detentora do troféu, na sexta-feira, levando o jogo dos dezasseis avos de final para prolongamento, antes de ser eliminada pelos sul-americanos por 3-2.

Antes, na fase de grupos, a equipa das ilhas já tinha conseguido três empates com Espanha (0-0), Uruguai (2-2) e Arábia Saudita (0-0), numa campanha que excedeu as expectativas e ganhou notoriedade global, tendo em conta que foi a primeira participação de sempre em campeonatos mundiais.

O avião oriundo dos Estados Unidos em que viajou a seleção aterrou no aeroporto internacional Nelson Mandela pelas 10:00 (12:00 em Lisboa) numa altura em que já se concentravam muitos adeptos com as bandeiras nacionais, criando um fundo azul, riscado a branco e vermelho em redor da pista.

Alguns carregavam camisolas para serem autografadas, outros queriam tão só estar perto dos jogadores que se tornaram celebridades, como o guarda-redes Vozinha – um dos mais requisitados, mal colocou pé em terra –, após a prestação no Mundial 2026.

A chegada coincide com o feriado de 5 de julho e isso tem um significado especial, disse Bubista, ao “felicitar aqueles que lutaram pela independência, por estarmos num pais que é livre”.

Apesar da popularidade, garante ser “o mesmo Bubista, com o mesmo espírito e vontade de aprender”.

Contra a Argentina, os Tubarões Azuis mostraram “vontade, qualidade e resiliência, a equipa mostrou o quanto cresceu e que não se apurou à toa, foi à custa de muito trabalho”.

Pico Lopes, defesa do Shamrock Rovers (Irlanda), tenta articular o melhor português possível para dizer que hoje “é dia de festa e é incrível”.

“Penso que as coisas vão mudar: fizemos um bom mundial e espero que isto inspire as futuras gerações”, acrescentou, ainda no aeroporto, na zona de chegadas reservada para a seleção.

Ao lado, Sidny Lopes Cabral dizia ser difícil encontrar palavras para descrever o golo que marcou à Argentina.

“Sem dúvida, todo o jogo foi uma sensação diferente, e acho que demonstrámos qualidade”, referiu.

Kevin Pina, eleito melhor jogador pela UEFA na partida contra o Uruguai, fala de uma “grande felicidade” por tudo o alcançado no Mundial 2026.

“Como dizemos em crioulo, é tanta que não cabe no peito. Mas agora é altura de descansar e aproveitar o momento, com o nosso povo, por todo o apoio que nos deram”, disse.

Ryan Mendes considera que “Cabo Verde mostrou muita qualidade, muito potencial, agora é continuar a trabalhar forte para seguir estes passos”.

Depois de sair do aeroporto, a equipa vai percorrer vários bairros e avenidas da capital, num percurso rodeado por adeptos que terminará com música e festa no largo de Quebra Canela, que foi palco de exibição dos jogos em ecrã gigante.

O primeiro-ministro cabo-verdiano, Francisco Carvalho, propôs no sábado que o dia 3 de julho, em que Cabo Verde se bateu com a Argentina, passe a ser assinalado como Dia dos Tubarões Azuis para celebrar “os valores da união, da superação e do orgulho nacional, inspirando as gerações presentes e futuras”.

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“Eu tenho dito que a classificação dos Tubarões Azuis permite-nos mobilizar inspiração, permite-nos fazer tudo para que Cabo Verde continue a superar-se e continue a imaginar um futuro muito melhor para Cabo Verde, de prosperidade, de excelência, de oportunidades para todos os cabo-verdianos nas ilhas e na diáspora”, disse, aos jornalistas, José Maria Neves, à margem do evento comemorativo do 51.º aniversário da independência do país, no Centro Cultural de Cabo Verde, em Lisboa.