A Europa fechou dividida nesta terça-feira, num dia de elevada volatilidade com a geopolítica a ditar o ritmo. O PSI fechou em alta, alinhado com o FTSE 100, o DAX e o FTSE MIB, enquanto Paris, Amesterdão e Madrid ficaram em terreno negativo.
O PSI fechou a subir +0,57% para 9.445,44 pontos com a Mota-Engil a liderar as subidas, ao avançar +3,46% para 4,66 euros. Seguida da EDP Renováveis que subiu +2,00% para 13,77 euros. Nas subidas o destaque vai ainda para a Ibersol (+1,98% para 10,30 euros); CTT (+1,24% para 6,56 euros); EDP (+1,06% para 4,685 euros); NOS (+1,06% para 4,942 euros); e para Corticeira Amorim (+1,00% para 7,06 euros).
Do lado das quedas, quatro cotadas fecharam a descer, sendo a Galp a que caiu mais (-0,70% para 21,28 euros) afetada pela queda dos preços do petróleo. O barril de Brent (referência europeia) recuou mais de 3% para cerca de 88,78 dólares por barril.
Depois a Navigator que recuou -0,67% para 3,274 euros; a Altri que perdeu -0,52% para 4,745 euros; e a Teixeira Duarte que recuou -0,10% para 0,48 euros.
Na Europa o Stoxx 600 subiu +0,35% e o EuroStoxx 50 avançou +0,12% para 6.455,6 pontos.
Nas principais bolsas, o FTSE 100 da City subiu +0,29% para 10.886,2 pontos; o DAX avançou +0,61% para 26.266,1 pontos; e o FTSE MIB valorizou +0,34% para 52.720,3 pontos.
Já o CAC 40 caiu-0,16% para 8.439,2 pontos; o AEX de Amesterdão recuou -0,15% ara 1.108,3 pontos; e o espanhol IBEX 35 perdeu-0,21% para 20.056,6 pontos.
As bolsas estiveram a digerir a ‘Operation Economic Outcast’ anunciada por Washington, o Ibex 35 foi o espelho da volatilidade do dia. O índice espanhol chegou a superar os 20.100 pontos durante a manhã, mas acabou por se virar em baixa e fechar a cair -0,21%.
O catalisador do dia veio dos EUA. Na segunda-feira, o Secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, detalhou a ‘Operation Economic Outcast’, com que a administração Trump pretende isolar economicamente o Irão e todos os seus parceiros comerciais.
“O Irão só tem dois caminhos: um isolamento económico completo e uma economia de subsistência, ou um caminho de regresso à normalidade, com a oportunidade de se reincorporar à economia mundial”, afirmou Bessent.
As novas sanções setoriais miram cinco vias de financiamento vitais que o Irão explora no exterior: ativos digitais, tecnologia, ouro, aviação e transporte marítimo. Bessent avisou que “estas medidas ampliam o risco de sanções secundárias para qualquer um que seja imprudente o suficiente para continuar a fazer negócios com este regime”.
A reação foi imediata. “A nova campanha de sanções contra o Irão adiciona uma nova camada de complexidade geopolítica aos mercados”, alertam analistas do Danske Bank. Para Ipek Ozkardeskaya, analista sénior da Swissquote, o risco é maior porque “os EUA não mencionaram a China especificamente, mas a China é um dos principais clientes do Irão e já deixou claro que sanções americanas que não façam sentido segundo a sua própria legislação não serão tidas em conta”.
A China avisou esta terça-feira que fará tudo para “defender firmemente” os seus interesses, depois de os Estados Unidos terem anunciado a intenção de cortar os recursos económicos do Irão e ameaçado quem apoiar Teerão.
Teerão já respondeu a Washington. O ministro da Economia iraniano, Ali Madanizadeh, garantiu à televisão estatal que o país está “plenamente preparado” e prometeu retaliação.
Entretanto o ministro dos Negócios Estrangeiros de Omã, Badr al-Busaidi, afirmou esta terça-feira que espera o anúncio “em breve” da criação de um corredor marítimo temporário no Estreito de Ormuz, após uma nova reunião com o homólogo iraniano em Teerão.
O clima de cautela fez-se sentir noutros ativos. Os preços do ouro recuaram ligeiramente, enquanto os mercados podem manter-se cautelosos antes da divulgação de novos dados sobre a inflação e o mercado de trabalho, bem como do Simpósio de Jackson Hole da Reserva Federal.
As taxas de juro das dívidas soberanas na Zona Euro desceram em toda a linha, num dia em que o preço do petróleo Brent (de referência para a Europa) recuou mais de 3%, aliviando preocupações com períodos inflacionistas mais longos. Os juros das “Bunds” da Alemanha a 10 anos, de referência para a Europa, recuaram 5,1 pontos-base para 3,199% e os juros da dívida portuguesa desceram 5,9 pontos-base para 3,542%, e as “yields” das obrigações espanholas recuaram na mesma medida, para 3,645%. A justificar esta descida pode estar o alívio sentido nos Estados Unidos, depois de o Tesouro norte-americano ter revelado que iria mais do que duplicar a recompra de obrigações, procurando travar o aumento das taxas de juro.
Na macroeconomia, destaque para a União Europeia (UE) que registou um défice comercial de 21,8 mil milhões de euros no segundo trimestre deste ano, o primeiro desde o segundo trimestre de 2023, revelam dados publicados pelo Eurostat esta terça-feira, 25 de agosto.
Os dados divulgados pelo gabinete estatístico da UE indicam que, no segundo trimestre de 2026, a UE registou um défice comercial de 21,8 mil milhões de euros, uma vez que as importações de bens provenientes de países terceiros (701,8 mil milhões de euros) superaram as exportações (680,0 mil milhões de euros).
“Este é o primeiro défice comercial registado desde o segundo trimestre de 2023, o último de uma série de défices provocados pelo aumento dos custos da energia observado entre o final de 2021 e meados de 2023”, refere o Eurostat.
Há ainda o barómetro do Ifo que revela que o sentimento entre as empresas na Alemanha melhorou. O Índice de Clima Empresarial Ifo subiu para 88,8 pontos em agosto, face aos 86,7 de julho.
Na geopolítica, o acontecimento do dia foi o facto de o diretor da agência de inteligência norte-americana, CIA, John Ratcliff, ter aterrado esta terça-feira em Moscovo para reunir com responsáveis russos, segundo avançam vários meios de comunicação norte-americanos. O motivo não foi desvendado, mas não será alheio o aumento de tensões entre a Rússia e alguns países europeus da NATO.