Com mais ou menos conhecimentos, mais novos ou mais experientes, todos sabemos e/ou até já sentimos que a vida é feita de ciclos. Quem entende o mercado financeiro e domina o mercado imobiliário não tem apenas noção desta realidade, tem o dever de conseguir antecipar os mesmos e ter a capacidade de definir estratégias que permitam a sua sobrevivência e a de todos aqueles que deste mercado dependem.
No mercado imobiliário em particular, estes ciclos ganham uma dimensão ainda maior quando o tempo útil de um projeto pode durar facilmente cinco anos. Desta forma, o que hoje representa uma boa oportunidade, amanhã, quando o processo estiver concluído e for necessário vender o produto acabado, esta pode já não o ser. Por isso, todo o cuidado é pouco e os riscos são muito acautelados.
Quem vive do mercado imobiliário, sabe que os gráficos se assemelham a autênticas montanhas e vales. Os players mais experientes no mercado nacional, e que já passaram por outros ciclos de euforia como o que vivemos atualmente, sabem que tudo é efémero e retraem-se antecipadamente precavendo o próximo ciclo em baixa.
No entanto, não sendo possível datá-lo com precisão e não havendo uma opinião unânime entre os profissionais do setor, o que sabemos é que o mercado é gerido através da lei da oferta e da procura. Quando a procura está em alta, os investidores estão confiantes, o mercado agita-se e o imobiliário torna-se a opção com menor risco e maior retorno face a outros investimentos financeiros. Tudo corre bem.
Mas, o mercado imobiliário nacional já está em alta há alguns anos, alavancado sobretudo pelo investimento em reabilitação, e neste momento é mais ou menos consensual a sua estabilidade. No entanto, alguns peritos alertam já para alguns sinais de abrandamento.
Depois da euforia, os portugueses também retomaram a confiança, recuperaram algum poder de compra e estão a investir. Enquanto consultor imobiliário, este é o nosso momento, no entanto, esperamos que não se repitam erros do passado e que a decisão de compra tenha em consideração não só a situação atual, mas a possibilidade de ultrapassar um eventual ciclo menos positivo.
Também o Fundo Monetário Internacional prevê que entre 2020 e 2023 a subida dos preços das habitações possa levar a uma nova queda, embora com riscos menores aos verificados em 2007, quando os níveis de endividamento das famílias eram consideravelmente superiores. Cada caso é um caso, cada ciclo tem as suas particularidades, no entanto, não sendo alarmista, mas apenas realista, 2/3 das 50 crises bancárias das últimas décadas foram precedidas de booms imobiliários.
Por parte do consultor imobiliário este “pormenor” contorna-se com muita experiência e é fundamental consciencializar o cliente final para estes ciclos que tornam a decisão de compra ainda mais ponderada, sobretudo, devido ao valor dos capitais envolvidos. Hoje, o mercado imobiliário em Portugal está em alta, mas não é necessária uma bola de cristal para saber que os ventos podem mudar.