BCP regressa ao mercado de dívida com emissão de 500 milhões. Montepio também avança com operação de 350 milhões

O recurso ao mercado obrigacionista tem sido recorrente para as instituições financeiras portuguesas, num contexto de reforço das almofadas de capital e de cumprimento dos requisitos regulamentares de fundos próprios e passivos elegíveis (MREL).

BCP regressa ao mercado de dívida com emissão de 500 milhões. Montepio também avança com operação de 350 milhões
bolsa bolsas bolsa de Lisboa

O Banco Comercial Português (BCP) voltou ao mercado de dívida para emitir 500 milhões de euros em obrigações subordinadas “tier 2”, numa operação destinada exclusivamente a investidores institucionais. De acordo com informação avançada pela Bloomberg, a emissão tem maturidade de 12 anos, com opção de reembolso antecipado ao fim de sete anos, em junho de 2033.

“O BCP vai emitir 500 milhões de euros em obrigações subordinadas Tier 2 com maturidade de 12 anos. Durante os primeiros 7 anos paga um juro fixo. Depois disso, o juro é recalculado. O banco está a oferecer cerca de Mid-Swap + 160 pb (o preço exato será definido hoje). É um instrumento de capital regulatório que ajuda o BCP a reforçar os seus rácios de capital”, segundo a Bloomberg

Na abertura dos livros de ordens, o preço indicativo apontava para um prémio de cerca de 160 pontos base acima da taxa “mid swap” do euro a cinco anos, o que correspondia a um juro indicativo de aproximadamente 4,48%. A colocação poderá ficar concluída ainda hoje, segundo a mesma informação.

As obrigações terão um cupão fixo até à primeira data de “reset”, em junho de 2033, passando depois a remunerar à taxa “mid swap” do euro a cinco anos acrescida da margem definida na emissão, caso não sejam resgatadas. A operação conta com o Crédit Agricole CIB, Goldman Sachs, Intesa Sanpaolo, JPMorgan, Mediobanca e o BCP Investimento como coordenadores globais (bookrunners).

O BCP pode resgatar a obrigação antecipadamente em caso de alteração fiscal, desqualificação regulatória/capital ou através de um clean-up call se 75% da emissão já tiver sido recomprada.

A emissão é no formato Reg S, destinada a investidores institucionais fora dos Estados Unidos, com denominações mínimas de 100 mil euros. Esta emissão destina-se apenas a contrapartes elegíveis e clientes profissionais. O preço final deve ser definido ainda hoje.

Esta é a segunda emissão do BCP em 2025. Em janeiro, o banco liderado por Miguel Maya captou igualmente 500 milhões de euros através de dívida sénior preferencial, numa operação com maturidade de seis anos e opção de reembolso ao fim de cinco, tendo fixado um cupão de 3,25%. Na altura, a procura ultrapassou os 750 milhões de euros, permitindo reduzir o custo de financiamento durante o processo de colocação.

Também o Banco Montepio aproveitou a atual janela de mercado para avançar com uma nova operação. A instituição está a emitir 350 milhões de euros em obrigações verdes séniores preferenciais, com maturidade de cinco anos e possibilidade de reembolso antecipado ao fim de quatro anos, em junho de 2030.

Segundo a Bloomberg, o intervalo de preço inicial aponta para uma remuneração entre 120 e 125 pontos base acima da taxa “mid swap” do euro a quatro anos, o que se traduz num juro indicativo entre 3,98% e 4,03%. Tal como a emissão do BCP, a operação do Montepio deverá ser concluída ainda durante a sessão de hoje. O banco escolheu o ABN Amro, Bank of America, Deutsche Bank, NatWest e UniCredit para coordenarem a emissão.

No caso do Montepio, esta é a terceira emissão realizada nesta altura do ano desde 2024. No ano passado, o banco colocou 350 milhões de euros em dívida sénior preferencial a quatro anos, com um cupão de 3,5%, tendo registado uma procura próxima de 2,4 vezes a oferta.

O recurso ao mercado obrigacionista tem sido recorrente para as instituições financeiras portuguesas, num contexto de reforço das almofadas de capital e de cumprimento dos requisitos regulamentares de fundos próprios e passivos elegíveis (MREL).

 

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