“A produção de crédito com garantia, no primeiro trimestre do ano passado, situou-se na ordem dos 94 milhões de euros. Já no primeiro trimestre de 2026, andou na ordem dos 300 milhões de euros. O peso da garantia no total do crédito à habitação própria e permanente — onde se aplica esta medida — ronda os 40%”, revelou Miguel Maya na apresentação de resultados do primeiro trimestre do BCP.
O plafond inicial da garantia pública do BCP foi totalmente esgotado, acrescentou Miguel Maya. O valor inicial da quota atribuída ao banco era de 185,4 milhões de euros, tendo sido posteriormente reforçado em 150 milhões de euros.
O CEO do BCP revelou ainda que o peso dos créditos com garantia representa 40% do total do crédito para habitação própria e permanente.
Miguel Maya explicou também que o valor médio dos créditos à habitação com garantia do Estado para jovens até aos 35 anos se situa na ordem dos 218 mil euros.
“O que nos parece é que esta é uma boa medida e que está a ser gerida com muito rigor. É, portanto, algo que está a criar valor para a sociedade, na medida em que permite que mais casais tenham casa própria e, dessa forma, iniciem a sua vida”, defendeu o CEO do BCP.
Miguel Maya mostrou-se favorável à garantia do Estado para jovens, apesar dos recentes alertas do Banco de Portugal. “O que consideramos é que jovens que não tenham capacidade financeira no início da carreira poderiam ficar impedidos de comprar casa por não disporem dos 10% de entrada. Consideramos muito importante apoiar os jovens e não exigir que aqueles que não têm pais com possibilidade de lhes dar esses 10% tenham de passar três anos a pagar renda e, além disso, a poupar para reunir esse montante. Isto é fundamental. Diria, portanto, que o financiamento depende sobretudo da capacidade das pessoas gerarem rendimento para fazer face ao serviço da dívida. O banco continuará a ser muito rigoroso nessa matéria”, afirmou.
O banqueiro discorda da tese de que o crédito com garantia para jovens está a agravar o risco e afirma que, apesar de ainda ser cedo para avaliar, “a percentagem de crédito em incumprimento superior a 90 dias é exatamente a mesma nas operações realizadas após a introdução da garantia pública e nas realizadas anteriormente”.
“É ainda muito cedo, mas a taxa de incumprimento no crédito com garantia pública para jovens é praticamente igual à do conjunto do crédito à habitação própria e permanente, situando-se em cerca de 0,02% em ambos os casos”, frisou o CEO do BCP.
“Financiar um cliente tem muito mais a ver com a sua capacidade de gerar rendimento para suportar o serviço da dívida (DSTI) do que com o facto de o financiamento corresponder a 90% do valor da casa (loan-to-value)”, defendeu. Recordou ainda que o Banco de Portugal inclui na sua análise de aumento de risco (que passou de 3% para 21% após a introdução da garantia pública) todas as operações com DSTI (capacidade de o cliente suportar a dívida) superior a 60% e/ou com um LTV superior a 90%. Ora, os créditos a jovens com garantia do Estado têm, por definição, um LTV superior a 90%, o que não significa necessariamente que sejam mais arriscados do que os restantes, explicou.
O BCP revelou esta quarta-feira que o crédito hipotecário na atividade em Portugal se fixou em 22.296 milhões de euros a 31 de março de 2026, registando um aumento de 11,4% (mais 2.281 milhões de euros) face à mesma data do ano anterior, impulsionado por uma procura crescente, sobretudo devido aos incentivos estatais dirigidos aos jovens.