BCE já começou a comprar dívidas soberanas

BCE já começou a comprar dívidas soberanas
BCE já começou a comprar dívidas soberanas

O Banco Central Europeu (BCE) arrancou com um programa sem precedentes de compra de dívidas soberanas, que vai permitir injetar centenas de milhares de milhões de euros na economia da zona euro na esperança de a redinamizar.

“O BCE e os bancos centrais do Eurosistema começaram, como anteriormente anunciado, a comprar no âmbito do programa de compra de dívidas do setor público”, indicou hoje de manhã o BCE na rede social Twitter.

Este plano de apoio à união monetária cifrar-se-á em 60 mil milhões de euros por mês até, pelo menos, setembro de 2016.

O objetivo desta operação denominada “Quantitative Easing” (QE) é criar um círculo virtuoso para a economia: sob o efeito de uma forte procura, as taxas de juro das obrigações vão descer, empurrando os bancos a aplicar o dinheiro noutros sítios, designadamente a emprestar às empresas e aos consumidores. No final da cadeia, é suposto o programa relançar a atividade económica e fazer subir os preços quando existe a ameaça da deflação.

O QE também pesa sobre o valor da divisa. As aplicações na zona euro são menos interessantes para os investidores de outras regiões e o dinheiro sai da união monetária, desvalorizando o euro. A desvalorização beneficia as empresas exportadoras europeias e torna mais caras as importações, podendo provocar uma subida dos preços.

O simples anúncio do QE no final de janeiro já deu resultados, afirmou na quinta-feira em Nicósia o presidente do BCE, Mario Draghi, sublinhando a melhoria das condições do crédito na zona euro.

Este programa “já teve consequências” na economia real bem como no euro e “isto vai continuar”, afirmou o economista do Crédit Agricole CIB Frédérik Ducrozet, citado pela AFP, confirmando que as taxas de juro do crédito às empresas não param de cair.

Para os mercados, o QE marca uma mudança histórica da política monetária do BCE.

Os bancos centrais nacionais – Bundesbank, Banco de Portugal e outros – serão os principais executantes do QE, já que está previsto que façam 92% das compras.

Desde o último outono os bancos centrais já compram dívida privada. Mas a partir de hoje são os títulos de dívida emitidos pelos Estados da zona euro que vão ser alvo de compras massivas.

Os efeitos do programa fazem-se sentir por antecipação há várias semanas nas taxas de juro das dívidas soberanas.

OJE/Lusa

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