Bancos europeus obrigados a fornecer dados de liquidez semanais ao BCE

O Banco Central Europeu vai obrigar os bancos europeus a providenciarem dados sobre liquidez das instituições financeiras com uma frequência semanal a partir de setembro.

Bancos europeus obrigados a fornecer dados de liquidez semanais ao BCE
Andrea Enria, presidente do Mecanismo Único de Supervisão do Banco Central Europeu

O Banco Central Europeu (BCE) vai pedir aos bancos que forneçam dados semanais sobre a sua liquidez a partir de setembro, para que possa verificar com mais frequência a sua capacidade de evitar potenciais choques com a subida das taxas de juro, disse no sábado o chefe de supervisão do BCE, Andrea Enria, ao Jornal “Milano Finanza”.

Segundo Andrea Enria, líder do supervisor do BCE, o objetivo passa por avaliar a capacidade de os bancos enfrentarem potenciais choques de forma mais apertada, isto numa altura em que os mercados “ainda estão numa fase delicada” devido ao impacto da guerra na Ucrânia, inflação elevada e subida das taxas de juro.

Todos estes factores podem aumentar os riscos de liquidez e de financiamento, afirmou Enria, acrescentando que o BCE estará muito atento a este aspeto nos testes de resistência e noutros processos de supervisão em curso.

“Decidimos enviar aos bancos, a partir de setembro, um pedido de informação semanal, a fim de dispormos de dados mais recentes que nos permitam acompanhar melhor a evolução da liquidez”, afirmou Enria.

“Queremos ter dados mais frescos para monitorizar da melhor forma os desenvolvimentos relacionados com liquidez”, disse Enria em entrevista ao jornal italiano, destacando que os bancos europeus estão fortes.

Atualmente, os bancos são obrigados a fornecer informação sobre a liquidez ao BCE numa base mensal.

Os resultados dos testes de resistência dos bancos serão revelados nos próximos dias e, segundo Enria, mostrarão que os bancos europeus podem enfrentar uma potencial crise financeira numa base mais forte, com níveis de capital mais elevados e ativos mais sólidos e fiáveis.

Questionado sobre a necessidade de um terceiro grande grupo bancário em Itália, para além do UniCredit e do Intesa Sanpaolo, Enria afirmou que existe margem para uma maior consolidação, tal como acontece noutros Estados-Membros.

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