Bancos com critérios menos restritivos no crédito ao consumo e outros fins, diz BdP

Pressões da concorrência e tolerância a riscos contribuíram ligeiramente para critérios menos restritivos no crédito ao consumo e outros fins, conclui o Banco de Portugal no Inquérito aos Bancos sobre o Mercado de Crédito de Abril de 2022.

Bancos com critérios menos restritivos no crédito ao consumo e outros fins, diz BdP
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O Banco de Portugal publicou o Inquérito aos Bancos sobre o Mercado do Crédito de Abril de 2022 e nele conclui que as pressões da concorrência e a tolerância a riscos contribuíram ligeiramente para critérios menos restritivos no crédito ao consumo e outros fins, por parte dos bancos.

Os critérios de concessão de crédito a empresas, mantiveram-se em todas as classes de dimensão e maturidades dos empréstimos. Já no crédito a particulares, não há alteração dos critérios no crédito para aquisição de habitação, mas os critérios foram “ligeiramente menos restritivos no crédito ao consumo e outros fins”.

Nos empréstimos a empresas, o BdP destaca a pressão da perceção de riscos associados à situação e perspetivas económicas gerais e, no caso de empréstimos de maior risco, também os riscos associados à situação e perspetivas em setores e empresas específicos.

Ficou praticamente inalterada a proporção de pedidos de empréstimo rejeitados, quer no crédito a empresas, quer no crédito a particulares.

A expetativa dos bancos é que os critérios de concessão de crédito a PME sejam ligeiramente mais restritivos, o que será transversal às diferentes maturidades dos empréstimos. Mas sem alterações no crédito a particulares, diz o BdP.

Do lado da procura de crédito, por parte de empresas, verificou-se um ligeiro aumento por parte das pequenas e médias empresas (PME), que foi transversal às diferentes maturidades dos empréstimos, e uma ligeira diminuição nos pedidos de grandes empresas.

As necessidades de financiamento para refinanciamento/reestruturação ou renegociação da dívida contribuíram ligeiramente para o aumento da procura de empréstimos, em particular por PME, diz o BdP.

Já a procura de empréstimos por parte de particulares aumentou. Sobretudo no crédito ao consumo e outros fins.

A confiança dos consumidores contribuiu para aumentar a procura de empréstimos por particulares, sobretudo no crédito ao consumo e outros fins, diz o BdP.

É esperado um aumento da procura de empréstimos de curto prazo sobretudo por PME e ligeiro aumento da procura de empréstimos para habitação e consumo.

O questionário referente ao presente exercício foi enviado aos bancos no dia 7 de março de 2022 e o envio das respostas ocorreu até ao dia 21 de março. A avaliação da oferta e da procura refere-se ao primeiro trimestre de 2022 por comparação com o trimestre anterior. As expetativas referem-se ao segundo trimestre de 2022.

Sobre o financiamento a retalho e por grosso o inquérito revela que nos últimos três meses registou-se uma melhoria da capacidade de financiamento no retalho através de depósitos de curto prazo. Em sentido contrário, verifica-se uma deterioração do acesso a financiamento através de títulos de dívida de médio a longo prazo e, em menor grau, através da titularização de empréstimos a empresas.

A expetativa para os próximos três meses é que não haja alterações significativas no acesso ao mercado.

Sobre o impacto dos programas do BCE de compra de ativos, o Banco de Portugal perguntou aos bancos de que forma os programas do BCE de compra de ativos levaram a uma alteração dos ativos do seu banco ou o afetaram (direta ou indiretamente) nos últimos seis meses? E qual será o impacto nos próximos seis meses?

No balanço e situação financeira, os bancos responderam que nos últimos seis meses registaram uma melhoria das condições globais de financiamento dos bancos no mercado e a deterioração da sua rendibilidade global por via do impacto sobre a margem financeira.

Sobre a política e volume de crédito concedido nos últimos seis meses os bancos dizem que a política do BCE praticamente não teve impacto.

Para os próximos seis meses esperam que os programas do BCE de compra de ativos praticamente não tenham impacto no balanço e condições de financiamento dos bancos, Mas esperam que o impacto negativo sobre a rendibilidade, de um modo geral, seja ligeiramente inferior ao reportado nos últimos seis meses. Os programas do BCE também praticamente não terão impacto sobre a política e volume de crédito a empresas e a particulares.

Sobre o impacto da taxa de juro negativa aplicada pelo BCE à facilidade permanente de depósito, o inquérito revela que nos últimos seis meses houve uma redução considerável da rendibilidade global dos bancos, decorrente do impacto negativo na margem financeira e uma diminuição das taxas de juro nos empréstimos concedidos a empresas. Nos empréstimos a particulares, deu-se uma redução das taxas de juro e um ligeiro aumento do volume de crédito concedido no caso da habitação.

O sistema de dois níveis aplicado pelo BCE para a remuneração das reservas excedentárias de liquidez, provocou, nos últimos seis meses, um aumento da rendibilidade global dos bancos, decorrente do impacto positivo na margem financeira.

Para os próximos seis meses a banca espera impactos semelhantes aos reportados para os seis meses anteriores.

Sobre a terceira série de operações de refinanciamento de prazo alargado direcionadas – ORPA direcionadas III, na operação que decorreu em dezembro de 2021 um dos cinco bancos da amostra portuguesa participou, revela o BdP. O motivo para o banco ter participado foi principalmente para reforço do cumprimento dos requisitos regulamentares ou prudenciais.

A finalidade dos fundos destas operações de refinanciamento, nos últimos seis meses, foram a concessão de empréstimos ao setor privado não financeiro e a detenção de liquidez junto do Eurosistema e, em menor grau, para substituir dívida vencida, adquirir obrigações soberanas nacionais e outros ativos financeiros.

O impacto destas operações nos últimos seis meses, segundo o inquérito, traduziu-se na melhoria da posição de liquidez e da rendibilidade dos bancos e, em menor grau, das condições de financiamento no mercado e da capacidade para cumprir os requisitos regulamentares ou prudenciais.

O impacto das ORPA direcionadas III na política e volume de crédito concedido, segundo a banca, traduziu-se em termos e condições ligeiramente menos restritivos no caso das empresas.

Para os próximos seis meses os bancos da amostra preveem a utilização da liquidez para fins semelhantes aos reportados para os últimos seis meses.

As operações praticamente não terão impacto na situação financeira dos bancos e os
impactos na política e volume de crédito concedido serão semelhantes aos reportados para os seis meses anteriores.