Os principais bancos e gestoras de ativos dos Estados Unidos iniciaram a época de resultados do primeiro trimestre de 2026 com desempenhos acima das expectativas, contribuindo para aliviar receios dos investidores quanto à evolução do setor financeiro.
Bancos como o Citigroup, Goldman Sachs, Morgan Stanley e a gestora de ativos BlackRock destacaram-se com resultados robustos, tanto ao nível das receitas como dos lucros por ação (EPS). Em contraste, o Wells Fargo apresentou o desempenho mais fraco do grupo, falhando ligeiramente as expectativas e registando uma reação negativa do mercado.
O setor financeiro como um todo evidenciou sinais de força. O ETF Financial Select Sector está a negociar próximo dos máximos das últimas 52 semanas, refletindo o otimismo dos investidores. Já o KBW Bank ETF registou uma valorização significativa face aos mínimos recentes, sustentada por uma melhoria do sentimento em torno das taxas de juro, qualidade do crédito e políticas de retorno de capital.
Este desempenho positivo surge num contexto de recuperação da atividade de banca de investimento, especialmente nas áreas de fusões e aquisições (M&A), que impulsionaram os resultados trimestrais.
Entre os destaques, o Citigroup liderou em termos de surpresa positiva, com forte crescimento do EPS e receitas acima do esperado. O lucro do gigante da banca norte-americana alcançou os 5,8 mil milhões de dólares, um crescimento de 42% face ao ano anterior que ultrapassou, facilmente, as estimativas dos analistas, enquanto as receitas totais alcançaram os 24,6 mil milhões – o maior resultado em uma década. A a volatilidade dos mercados acabou por ser benéfica para os resultados.
O Morgan Stanley registou um lucro líquido de 5.567 milhões de dólares (cerca de 4.727 milhões de euros) no primeiro trimestre, mais 29% do que no mesmo período de 2025. O segmento de mercados foi a parte mais forte. As receitas da negociação de ações atingiram 5,15 mil milhões de dólares.
O Morgan Stanley beneficiou de uma recuperação expressiva nos mercados e na gestão de patrimónios, enquanto o Goldman Sachs registou um dos trimestres mais rentáveis dos últimos anos.
O Goldman Sachs registou os melhores resultados do primeiro trimestre em cinco anos, com lucro a subir 18% para 5,4 mil milhões de dólares, num contexto de maior maior volatilidade devido às tensões geopolíticas. As receitas a aumentaram 14% para 17,2 mil milhões de dólares (14,6 mil milhões de euros). O banco de investimento apontou o aumento das fusões e aquisições concluídas como principal fator por detrás deste desempenho.
A BlackRock apresentou crescimento de dois dígitos nas receitas e margens operacionais sólidas. A gestora de ativos obteve lucros de 2.212 milhões de dólares (cerca de 1.875 milhões de euros à taxa de câmbio atual) no primeiro trimestre deste ano, mais 46% face ao mesmo período do ano anterior.
O lucro da maior gestora de ativos do mundo, sediada em Nova Iorque (Estados Unidos da América), foi impulsionado pelo crescimento das receitas em 27% para 6.698 milhões de dólares (5.680 milhões de euros), o que a empresa atribui ao impacto positivo dos mercados, ao crescimento das taxas cobradas e ao aumento das receitas com serviços de tecnologia e subscrições.
Já o JPMorgan e o Bank of America apresentaram resultados consistentes e acima das previsões, embora sem grande impacto adicional nas cotações, devido a expectativas já elevadas por parte do mercado.
O lucro do JP Morgan Chase, o maior banco dos EUA, subiu para 16.494 milhões de dólares (14.083 milhões de euros) no primeiro trimestre de 2026, uma subida de 13% face ao mesmo período do ano anterior.
O volume de negócios da entidade entre janeiro e março ascendeu a 49.836 milhões de dólares (42.552 milhões de euros), mais 10% do que no ano anterior, incluindo um crescimento de 9% nas receitas líquidas de juros, até 25.366 milhões de dólares (21.659 milhões de euros).
Apesar de ter registado o segundo melhor trimestre de sempre, o JPMorgan decidiu rever em baixa a sua previsão para a margem financeira em 2026.
O presidente executivo do JP Morgan, Jamie Dimon, destacou o “sólido desempenho” da entidade em todas as suas áreas de negócio, incluindo um aumento de 19% nas receitas da divisão de Banca Corporativa e de Investimento (CIB), enquanto na unidade de Mercados atingiram o valor recorde de 11.600 milhões de dólares (9.905 milhões de euros).
O Bank of America registou um lucro de 7,28 mil milhões de euros, no primeiro trimestre de 2026, um aumento de 16,6% em relação ao mesmo período do ano anterior. Segundo informou a instituição nesta quarta-feira, em comunicado, as receitas ascenderam a 25,67 mil milhões de euros, mais 7,2% do que no ano anterior.
Este aumento deve-se, segundo o banco, às maiores receitas líquidas de juros, vendas e operações, bem como ao aumento das comissões de gestão de ativos e de banca de investimento.
Pela negativa, o Wells Fargo destacou-se pela surpresa ligeiramente desfavorável nas receitas e pela pior reação bolsista entre os pares, sinalizando maior cautela por parte dos investidores.
Nos primeiros três meses do ano, o Wells Fargo viu o seu resultado líquido crescer para 5,25 mil milhões de dólares contra os 4,89 mil milhões do mesmo período de 2025. No entanto, a margem financeira ascendeu a pelos 12,1 mil milhões, fixando-se abaixo das estimativas do mercado que apontavam para 12,3 mil milhões.
No geral, o arranque da época de resultados reforça a resiliência do setor financeiro norte-americano e contribui para restaurar a confiança dos mercados num contexto ainda marcado por incertezas macroeconómicas.
Analisando o crescimento das receitas, EPS do 1.º trimestre de 2026 em comparação com o ano passado, a surpresa face às expectativas dos analistas e a reação das ações no dia seguinte à divulgação dos resultados:
● Melhores resultados globais (em comparação com as expectativas e a trajetória):
○ Citigroup– maior reavaliação do EPS, forte superação das receitas e reação positiva das ações.
○ BlackRock– crescimento de dois dígitos nas receitas, com margens operacionais na casa dos 30% e uma superação clara.
○ Morgan Stanley – forte recuperação nos mercados/IB e gestão de patrimónios, com uma das maiores surpresas no EPS.
○ Goldman Sachs – um dos seus trimestres mais fortes dos últimos anos em termos de rentabilidade absoluta, com EPS no nível mais alto em vários anos.
● Resultados sólidos, mas mais «bons dentro do esperado»:
○ JPMorgan – força generalizada, surpresas positivas, mas reação positiva limitada do preço, dada uma base de comparação elevada.
○ Bank of America – estabilização razoável da margem de juros líquida e contribuição das comissões; resultados claramente acima das expectativas, mas não transformacionais.
● Piores resultados
○ Wells Fargo – surpresa negativa nas receitas, evolução mais fraca dos lucros
(atualizada)