Áustria: ex-primeiro-ministro Sebastian Kurz enfrenta acusação de perjúrio

Um tribunal de Viena deve proferir esta sexta-feira uma decisão sobre o ex-chanceler austríaco, acusado de fazer declarações falsas num inquérito parlamentar.

Áustria: ex-primeiro-ministro Sebastian Kurz enfrenta acusação de perjúrio
Sebastian Kurz_Austria

Chegou a ser um dos políticos considerados mais importantes na área da direita moderada europeus e foi um caso sério de popularidade no seu país de origem, a Áustria, mas esbarrou contra acusações de corrupção e a sua auspiciosa carreira acabou abruptamente. Sebastian Kurz renunciou em 2021 ao lugar de primeiro-ministro (chanceler) depois de uma investigação por corrupção ter sido aberta contra si.

O ‘seu’ Partido Popular Austríaco (OVP) continua a liderar o governo, desde então com o chanceler Karl Nehammer – mas o contexto político nunca mais foi o mesmo: o país vai a votos este ano, no final de outubro e, segundo os jornais nacionais, a posição dos populares é desconfortável. As sondagens indicam que não ganhará as eleições – e o facto de o partido no governo (em coligação com os Verdes) ter bloqueado a possibilidade de eleições antecipadas, não está a ajudar.

Vale a pena recordar que as eleições legislativas de 2019 foram convocadas após o caso Ibiza, que provocou o colapso do governo de coligação entre o OVP e o Partido da Liberdade da Áustria (FPO), liderado por Sebastian Kurz. A coligação não resistiu a uma moção de desconfiança. As eleições deram uma forte vitória ao OVP, que atingiu os 37,5%, enquanto o FPO não foi além dos 16%, o seu pior resultado desde 2006. Mas o a oposição do Partido Social-Democrata da Áustria (SPO) não soube capitalizar o descontentamento e, não indo além dos 21%, abriu portas à permanência do OVP, desta vez em ‘compadrio’ com os Verdes, que chegaram aos 14%. O Caso Ibiza resultou de um vídeo ‘vazado’ para o público, onde alguns políticos, entre eles o líder do FPO, Johann Gudenus, diziam, algures num apartamento em Ibiza, que estariam disponíveis para aceitarem ser corrompidos por financiadores importantes das suas formações políticas.

Tudo parecia estar bem quando acaba bem, até que o ‘renovado’ chanceler Sebastian Kurz foi por sua vez ‘caçado’ nas malhas das suspeitas de corrupção. Aquele que chegou a ser o mais jovem primeiro-ministro da Europa acabou por retirar-se e cumpriu a promessa de não mais regressar à política. Mas a política não fez nenhuma promessa de deixar de o atormentar, e o ex-chanceler acabou mesmo por ser acusado, no verão passado, de mentir a uma comissão parlamentar.

Kurz, que nega a acusação, enfrenta uma moldura penal de até três anos de prisão se for condenado. O julgamento, que começou em outubro, centra-se no testemunho de Kurz num inquérito que se concentrou na coligação que liderou desde 2017 até ao seu já referido colapso em 2019.

Segundo a Associated Press (AP), os promotores públicos acusam o ex-chanceler, agora com 37 anos, de ter prestado provas falsas em junho de 2020 sobre seu papel na criação de uma holding, a OeBAG, que administra os interesses do Estado em algumas empresas, e a nomeação de seu ex-confidente próximo Thomas Schmid para a sua liderança.

A acusação, que não foi divulgada ao público mas à qual a AP teve acesso, os promotores fazem referência a mensagens e conversas potencialmente incriminatórias encontradas no telefone de Schmid – que entretanto optou por cooperar com o Ministério Público.

Para já, e apesar de os trabalhos do tribunal terem iniciado às 08h30 horas locais, segundo relatos dos jornais austríacos, não é ainda conhecido qualquer veredito – e os analistas afirmam que é muito provável que o caso não fique fechado esta sexta-feira.

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