A Hungria está a passar por uma grande mudança política após as eleições parlamentares. De acordo com os resultados preliminares, o Tisza, o partido liderado por Péter Magyar, garantiu 138 dos 199 lugares, ultrapassando o limite de dois terços exigido para alterar a Constituição. “O resultado foi mais forte do que o sugerido pelas sondagens pré-eleitorais e marca uma mudança significativa no panorama político do país, comenta Stefano Fiorini, gestor global de fundos de rendimento fixo da Generali Asset Management.
“Espera-se que o novo governo adote uma posição mais pró-europeia e pró-NATO em comparação com a administração anterior. O resultado foi bem recebido em várias capitais europeias e em Bruxelas, aumentando as expectativas de uma relação mais cooperativa entre a Hungria e as instituições da União Europeia”.
Internamente, a transição pode revelar-se complexa, na opinião do gestor. “A administração anterior controlou as principais alavancas institucionais durante mais de uma década e não se pode excluir alguma resistência às mudanças políticas. No entanto, a transição política parece estar a avançar e os mercados reagiram positivamente”.
A moeda húngara valorizou cerca de 3% face ao euro, enquanto o rendimento das obrigações de dívida pública a 10 anos diminuiu cerca de 40 pontos base, superando o desempenho dos mercados obrigacionistas, onde os rendimentos subiram.
“Tínhamos mantido uma posição construtiva tanto em relação à moeda como às obrigações locais nos meses anteriores às eleições. Isto refletiu tanto a possibilidade de uma mudança política como as taxas de juro reais elevadas, que deixam espaço para uma flexibilização monetária cautelosa por parte do banco central nos próximos trimestres”.
Além disso, espera-se que a Comissão Europeia colabore com o novo governo para facilitar a libertação de aproximadamente 35 mil milhões de euros em fundos da UE que foram congelados nos últimos anos.
“Acreditamos que a dinâmica positiva para os ativos húngaros poderá continuar e estender-se também a outros mercados da Europa de Leste. A Hungria tem tido um desempenho inferior ao da região em termos de crescimento nos últimos anos, e a melhoria das condições monetárias, combinada com um acesso renovado ao financiamento da UE, poderá ajudar a reduzir esta disparidade. De um modo mais geral, prevê-se que a Europa de Leste supere o desempenho da Europa Central e Ocidental em termos de crescimento, uma tendência que poderá refletir-se cada vez mais no desempenho dos ativos locais”, conclui Stefano Fiorini.