Falemos de um “benemérito” convencido a quem os deputados, políticos e gestores veneraram, atribuíram comendas, cobriram de prémios e tudo dentro da saloiice nacional e muita subserviência que é comum vermos perante os estrangeiros, mas rarissimamente perante um português. Como já perceberam falamos do ainda comendador Berardo.
Feito um flashback concluímos que estamos perante um “grande benemérito”. Senão vejamos e parafraseando quem já escreveu sobre o assunto, em tempos atacou o antigo presidente do BCP, Jardim Gonçalves, para defender os pequenos acionistas. Depois quis comprar a SAD do Benfica para defender o clube. Quis ainda adquirir a Casa do Douro para defender os pequenos agricultores e dentro das suas grandes “obras” trouxe os Budas para o Bombarral, as Sicas para a Madeira e as Oliveiras do Alqueva para Azeitão. O objetivo foi salvar o património.
Depois colocou as obras de arte no CCB para elevar a cultura do povo e, não menos relevante, ainda nos lembramos de quando arbitrou o conflito entre João Rocha e Ricardo Salgado para oferecer uma moradia na Lapa, em Lisboa, ao então presidente do Sporting numa clara manifestação de fairplay (esta estória é outra e é igualmente deliciosa a nível de golpe e chantagem).
Este é o “benemérito” a quem agora se estuda a retirada das comendas e sobre quem corre nas redes sociais um apelo ao boicote dos seus belíssimos vinhos (possivelmente o único ato sobre o qual discordamos) e que foi ao Parlamento numa clara missão de ofender aquele órgão de soberania, para além dos contribuintes.
Ficou claro que as “rasteiradas” feitas aos bancos só puderam acontecer por dois motivos: ignorância de quem gere a coisa pública e de quem gere bancos, ou pela conivência dos mesmos. E não nos referimos apenas ao período negro do socratismo, mas antes dele, e com governo do bloco central, quando o ainda comendador fez o que queria num claro desrespeito pela sociedade.
E se atingiu um nível ímpar na cultura e na arte também é verdade que atingiu as profundezas do mal no momento em que soçobra à ambição de ser poderoso e poder determinar quem o poderia melhor servir no BCP. Esse é o momento de grande viragem, quando toma a iniciativa de derrubar o gestor de maior sucesso na banca nos tempos modernos e arruína um banco de matriz nacional e vocação global. O BCP nunca mais voltou a ser um grande banco.
Recordamos que entre os grandes gestores que lhe colocaram um travão esteve Alexandre Soares dos Santos, da holding Jerónimo Martins (JM) e do Pingo Doce. Quando descobriu que o então ativo gestor tinha conseguido comprar em bolsa 1% a 2% da JM, encostou-o à parede: ou vende as ações ou no grupo não entra mais produto do comendador. Berardo cedeu e Soares dos Santos passou a dor de cabeça para outro.
No BCP esteve o grande golpe: entre 2006 e 2007, Berardo terá aplicado cerca de 400 milhões de euros em ações do BCP com financiamento da Caixa. Berardo não saberia “onde tinha a cabeça” mas agradou a Paulo Teixeira Pinto.