“Arquitetura financeira internacional está ultrapassada” e é “disfuncional e injusta”, alerta Guterres

"Os ricos estão sobrerepresentados. Os pobres estão desatendidos", considerou, insistindo na aposta em reformas que "representem melhor os países em desenvolvimento" e que "deem resposta às suas necessidades".

“Arquitetura financeira internacional está ultrapassada” e é “disfuncional e injusta”, alerta Guterres
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O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU) defendeu “mais mudanças sistémicas” no campo de ação do G7, que se vai reunir, a partir de amanhã, em Itália.

“A nossa arquitetura financeira internacional está ultrapassada, disfuncional e injusta”, afirmou António Guterres aos jornalistas, à margem do evento do 60.º aniversário das UNCTAD, que teve início esta quarta-feira e decorre até sexta-feira.

“Os ricos estão sobrerepresentados. Os pobres estão desatendidos”, considerou, insistindo na aposta em reformas que “representem melhor os países em desenvolvimento” e que “deem resposta às suas necessidades”.

Interligando essa questão com o combate às alterações climáticas, Guterres defendeu que “as economias avançadas devem apoiar as economias emergentes e em desenvolvimento”, demonstrando “solidariedade climática com o apoio tecnológico e financeiro de que necessitam para reduzir as emissões”.

Essas reformas devem materializar-se, continuou, com o “aumento substancial da capacidade de empréstimo dos bancos multilaterais de desenvolvimento”, bem como com uma “mudança do seu modelo de negócio, para que possam fornecer muito mais financiamento para a ação climática e o desenvolvimento sustentável, alavancando enormes quantidades de financiamento privado”.

“Isto é particularmente importante para os países africanos. Alguns gastam mais, em média, na sua dívida do que na saúde, educação e infraestruturas combinadas”, explicou.

Nessa linha, Guterres recordou que os países africanos ainda “não têm representação permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas”.

Sem deixar de tocar no incontornável assunto da Inteligência Artificial (IA), o antigo primeiro-ministro português alertou que essas “tecnologias estão a correr à frente da regulamentação”, dando nota de como o tema está a ser tratado em sede da ONU.

“Estão a ser implementadas praticamente sem qualquer consideração pelas consequências e estão a inflamar tensões e divisões. Tudo isto é uma receita para uma instabilidade profunda”, afirmou.

“Devo apoiar os direitos humanos, o desenvolvimento sustentável e beneficiar toda a humanidade. O órgão consultivo independente que nomeei identificou prioridades claras para a governação da IA, que incluem a criação de um painel científico internacional sobre IA, um diálogo político regular sobre a governação da IA, ética e normas comuns em matéria de IA, uma governação de dados reforçada e compromissos financeiros globais para apoiar os países em desenvolvimento”, explicou.

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