Aquecimento global: culpa do homem ou fenómeno natural?

Cientistas do World Weather Attribution concluem que calor extremo de junho teve "mão humana" e assenta nas alterações climatéricas, numa tendência "clara de aquecimento", considerada "preocupante".

Aquecimento global: culpa do homem ou fenómeno natural?
Mudanças Clima

O World Weather Attribution é uma associação de cientistas de várias universidades internacionais que se propõem avaliar as causas de eventos meteorológicos extremos. O seu mais recente estudo concluiu que o calor extremo registado durante o mês de junho um pouco por toda a Europa – e que criou as condições propícias aos fogos florestais que se registaram em Portugal e em Espanha – tem como principal origem as alterações climáticas causadas pela atividade humana.

O estudo começa por elencar os eventos registados em toda a Europa Ocidental no decorrer do mês passado. Dando algum destaque à situação ocorrida em Portugal – “um incêndio florestal mortal vitimou 64 pessoas e feriu mais de 200” – são referidos os casos de Espanha, em que um fogo obrigou a evacuar 1500 pessoas; de França, Suíça e Holanda, onde foram ativados planos para responder às ondas de calor; e também de Inglaterra, que teve o dia mais quente de junho dos últimos 40 anos.

Geert Jan van Oldenborgh, um dos cientistas que liderou o estudo da World Weather Attribution, afirma à TSF que nunca na Holanda, o país onde reside, se tinha vivido um junho tão quente, com temperaturas que em alguns dias atingiram os 35º C. Utilizando complexas análises matemáticas, o estudo conclui que a mudança climática promovida pelo Homem aumentou a intensidade e a frequência destes dias de calor extremo, nomeadamente em junho, especialmente em Espanha e Portugal, onde a probabilidade de tais dias acontecerem é dez vezes superior do que no início do século XX.

Oldenborgh, que trabalha no Instituto de Meteorologia da Holanda, referem terem sido encontrados “claras e fortes ligações entre o calor recorde de junho e as alterações climáticas causadas pelo Homem”, numa tendência “clara de aquecimento”, que o cientista considera “preocupante”, nomeadamente porque os termómetros estarão a subir mais rápido do que previam os modelos computorizados que simulam os efeitos das alterações climáticas. À TSF, Geert Jan van Oldenborgh acrescenta que o caso português e espanhol é mais preocupante, pois as alterações climáticas estão a ter efeitos mais severos nestes dois países. E dá um exemplo: “Em todo o mundo as temperaturas máximas no verão subiram 1 grau desde 1990, enquanto na Península Ibérica esse aumento chegou aos 3 graus.”