APREN e INEGI alertam que Portugal está aquém das metas definidas no Plano Nacional Energia e Clima 2030

A Associação Portuguesa de Energias Renováveis (APREN) e o Instituto de Ciência e Inovação em Engenharia Mecânica e Engenharia Industrial (INEGI) divulgaram, esta segunda-feira, o relatório 'Parques Eólicos em Portugal', que foi desenvolvido no âmbito do projeto conjunto e2p – Energia Endógena Portugal, que atualiza os dados sobre a evolução da energia eólica no país.

APREN e INEGI alertam que Portugal está aquém das metas definidas no Plano Nacional Energia e Clima 2030
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A Associação Portuguesa de Energias Renováveis (APREN) e o Instituto de Ciência e Inovação em Engenharia Mecânica e Engenharia Industrial (INEGI) divulgaram, esta segunda-feira, o relatório ‘Parques Eólicos em Portugal’, que foi desenvolvido no âmbito do projeto conjunto e2p – Energia Endógena Portugal, que atualiza os dados sobre a evolução da energia eólica no país.

“Os resultados mostram que, apesar de um ligeiro crescimento da capacidade instalada, Portugal continua aquém do necessário para alcançar as metas definidas no Plano Nacional Energia e Clima 2030 (PNEC 2030)”, dizem as entidades responsáveis pelo relatório.

O relatório refere que no final de 2024, existiam 2.936 aerogeradores espalhados por todo o território, a produzir o equivalente a mais de um quarto da eletricidade no país (27,5%), acrescentando que a “esmagadora maioria destes equipamentos localiza-se no Continente, sendo que Viseu é o distrito com maior potência instalada” de energia eólica.

Ao nível dos países europeus analisados Portugal ocupa o 10º lugar com maior potência eólica num lista que é liderada pela Alemanha, com 72,7 GW.

“Em 2024, foram produzidos 14,1 TWh de eletricidade de origem eólica onshore, mais 9% face a 2023. A expansão da energia eólica depende, sobretudo, de intervenções em parques já existentes, nomeadamente sobreequipamentos e reequipamento”, salienta o relatório.

“Para a APREN, nos números relevados, fica plasmado um cenário preocupante: a expansão da capacidade  eólica em Portugal continua a depender sobretudo de intervenções em parques já existentes, nomeadamente sobreequipamentos e reequipamentos, em vez da instalação de novos parques”, alerta a APREN.

O relatório diz ainda que em 2024 foram instalados pouco mais de 70 MW de nova capacidade eólica, “dos quais cerca de metade corresponde a projetos de sobreequipamento — ou seja, a atualização de equipamentos em parques já existentes. A restante nova potência representa um esforço insuficiente para que o país consiga atingir os 10,4 GW de eólica onshore e os 2 GW offshore previstos” para 2030.

O Presidente da Direção da APREN, Pedro Amaral Jorge, defende que as metas estabelecidas no Plano Nacional Energia e Clima 2030 “são ambiciosas e exigem um esforço concertado, não só no desenvolvimento dos projetos eólicos, mas também na capacidade de envolver a indústria nacional ao longo” de toda a cadeia de valor.

“Para que Portugal possa alcançar os 12,4 GW que estão previstos para 2030, é fundamental que o Estado crie um quadro remuneratório que permita a viabilidade económico-financeira e “bancabilidade” dos centros electroprodutores eólicos, capaz de impulsionar os montantes de investimento necessários e assegurar a adequação das infraestruturas. Só assim poderemos transformar a energia eólica num verdadeiro motor económico e ambiental para o país”, afirma Pedro Amaral Jorge.

Já a responsável técnica de monitorização de ativos no INEGI, Filipa Magalhães, refere que, em 2024, “a energia eólica representou mais de um quarto da eletricidade consumida em Portugal, consolidando-se como um pilar essencial da transição energética nacional” e que os projetos em curso, que deverão ficar concluídos em 2025, “acrescentam mais 294,3 MW à capacidade já instalada”.

Contudo Filipa Magalhães alerta que estes valores “ficam aquém do ritmo necessário ao cumprimento das metas estabelecidas” no Plano Nacional de Energia e Clima 2030.

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