Filipe Garcia, Economista Conselheiro; IMF, Informação de Mercados Financeiros

Antes da capitulação

As fortes quedas persistem na maior parte dos ativos. Será que este 'bear market' está para durar?

Até agora, maio não trouxe alterações em termos de tendência dos mercados financeiros. As fortes quedas persistem na maior parte dos ativos, com as matérias-primas energéticas a constituírem a exceção mais visível. Será que este bear market está para durar?

As quedas nas bolsas têm sido particularmente fortes e a série de perdas já se destaca em termos históricos. Por exemplo, a queda de 17,5% do S&P 500 nos primeiros 90 dias de transações do ano é a segunda mais forte desde 1928, o que ilustra bem a consistência e velocidade do movimento. Se olharmos para quanto os principais índices dos EUA corrigiram até agora desde o anterior máximo histórico, os números são os seguintes: o S&P 500 já perdeu 18,5%, o Dow Jones 14,3%, o Nasdaq 29% e o Russel 30,5%.

Tendo como termos de comparação quanto estes índices colapsaram na primavera de 2020 (-35,4%, -38,6%, -30,4% e -44,5%, respetivamente), parece ainda haver caminho a percorrer. Além disso, apesar de a volatilidade ter subido, ainda não se notam movimentos de verdadeira capitulação nos índices, sobretudo no Dow Jones e S&P 500, embora haja ações em que isso já sucedeu.

Por exemplo, nas criptomoedas esse movimento de capitulação parece estar a começar. Não só já se observou o esvaziar de alguns projetos (como a Luna e o UST que implodiram no início da semana), como também as quedas em várias altcoins importantes a superarem os 20% num só dia constituem um claro indício que o movimento está a acelerar.

É isso que ainda “falta” às ações. Que estamos perante um bear market não há dúvidas e os fundamentais em termos económicos, monetários e geopolíticos ainda não inverteram para um ciclo mais positivo. Portanto, falta apenas a capitulação.

Relacionado

Reservas de petróleo dos EUA estão no nível mais baixo desde 1982

Reservas de petróleo dos EUA estão no nível mais baixo desde 1982

Ruben Pires1 Set
A reserva estratégica de petróleo norte-americano está nos 289,7 milhões de barris. Estados Unidos querem usar acordo petrolífero com Venezuela para reforçar a reserva. O professor de engenharia petrolífera na Universidade Texas A&M, Siddharth Misra, alertou, citado pelo Globe and Mail, que apesar do limite mínimo para operar ser de 70 milhões de barris o nível mínimo prático para operações seguras é próximo de 250 milhões de barris. "A principal missão da reserva é abastecer o mercado rapidamente durante uma crise. Mas operar abaixo dos 250 milhões de barris coloca as infraestruturas numa zona perigosa", afirmou.