Em maio, as amortizações de títulos foram superiores às emissões em 1,1 mil milhões de euros. O sector das administrações públicas foi o que mais contribuiu para o primeiro resultado, com as amortizações de títulos a excederem as emissões em 1,3 mil milhões de euros, seguido das sociedades financeiras, com 0,5 mil milhões de euros. As empresas (não financeiras) apresentaram emissões superiores às amortizações em 0,7 mil milhões de euros.
As amortizações de títulos de dívida superaram as emissões em 1,4 mil milhões de euros e, em sentido contrário, as emissões de ações ultrapassaram as amortizações em 0,3 mil milhões de euros, refere o Banco de Portugal que publica hoje as estatísticas de emissões de títulos atualizadas para maio de 2023.
Na mesma análise, o supervisor da banca refere que no final de maio de 2023, o valor total de títulos emitidos por entidades residentes era de 463,4 mil milhões de euros, menos 4,3 mil milhões de euros do que no final do mês anterior.
“Para este resultado contribuíram essencialmente as desvalorizações de ações cotadas de empresas não financeiras e de sociedades financeiras, de 4,1 e 0,4 mil milhões de euros, respetivamente.”, detalha o BdP.
A desvalorização de 7% nas ações cotadas de empresas (não financeiras) foi a segunda mais expressiva desde março de 2020 (12%), apenas superada pela depreciação de 10% registada em setembro de 2022.
Amortizações de 45,7 mil milhões de títulos de dívida calendarizadas
No final de maio, estavam previstas, para os 12 meses seguintes, amortizações de 45,7 mil milhões de euros, o que corresponde a 16,5% dos 276,3 mil milhões de euros de títulos de dívida vivos naquela data.
“Destacavam-se as administrações públicas, com amortizações calendarizadas, para outubro de 2023 e para fevereiro de 2024, de 9,4 mil milhões e 6,5 mil milhões de euros, respetivamente”, diz o Banco de Portugal.
Já nos restantes sectores, “evidenciavam-se as amortizações agendadas para junho de 2023, nas empresas não financeiras e nas sociedades financeiras (5,4 mil milhões de euros e 3,1 mil milhões de euros, respetivamente). Para outubro de 2023, as sociedades financeiras tinham calendarizadas amortizações de 4,1 mil milhões de euros”.
Nas empresas não financeiras, as amortizações previstas correspondiam, em larga medida, a papel comercial, que é um instrumento de financiamento de curto prazo muito utilizado pelas empresas portuguesas e que é habitualmente objeto de renovação, isto é, de amortização acompanhada de nova emissão, igualmente de curto prazo. “É, por isso, previsível que se registe sistematicamente um valor elevado de amortizações calendarizadas para os 30 dias após o fim do mês”, conclui o BdP.