“Aliança Climática dos Estados Unidos”. Como três Estados desafiam Trump

Depois de Donald Trump ter anunciado a saída dos EUA do Acordo de Paris, os Estados norte-americanos da Califórnia, Nova Iorque e Washington anunciaram a criação da "Aliança Climática dos Estados Unidos", que promete respeitar as resoluções do acordo francês.

“Aliança Climática dos Estados Unidos”. Como três Estados desafiam Trump
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A criação Aliança Climática dos Estados Unidos foi anunciada minutos depois de Donald Trump ter dito, nos jardins da Casa Branca, que os EUA iam sair do Acordo de Paris, assinado no final de 2015, através de um comunicado assinado pelo governador da Califórnia, Edmund D. Brown, que explica que o objetivo desta aliança é reafirmar o compromisso destes Estados em “concretizar ações agressivas em relação às alterações climáticas”, independentemente da decisão do Presidente dos EUA.

Tal será alcançado através de planos para promover a partilha de informação e de boas-práticas ambientais entre os Estados e ainda “implementar novos programas para reduziras emissões em todos os setores da economia”. No mesmo comunicado, Brown declara que a “Califórnia resistirá a esta tomada de posição”, apelidando-a mesmo de “insana e errada”.

Andrew M. Cuomo, governador do Estado de Nova Iorque, afirmou que estas medidas criarão cerca de 40 mil postos de trabalho até 2020, o que contraria um dos argumentos apresentados por Trump no seu discurso do passado dia 1 de junho. Cuomo disse ainda que “esta Administração está a abdicar da sua liderança na luta contra as alterações climáticas”.

Por seu turno, Jay Inslee, governador do Estado de Washington, criticou a decisão de Trump e disse que “ainda que as ações do Presidente sejam um vergonhoso recuo no trabalho necessário para proteger o planeta para os nossos filhos e netos, os Estados têm estado, e continuarão a estar prontos para continuar a trabalhar”.

No comunicado que anuncia a criação da Aliança Climática dos EUA é ainda afirmada a recetividade da aliança em acolher qualquer Estado que pretenda seguir o Acordo de Paris. Tendo em conta que, segundo dados do Washington Post, 30 Estados dos EUA haviam já iniciado planos para aumentar o uso de energia renovável, esta aliança poderá crescer rapidamente.

A CNN apresenta mesmo uma lista de Estados que se comprometeram já com o cumprimento das resoluções do Acordo de Paris, ainda que não façam – para já – pare da aliança recém-criada: Massachusetts, Oregon, Colorado, Havai, Connecticut, Virgínia e Rhode Island.

Os três Estados signatários da nova aliança representam perto de um quinto da população e do PIB total dos EUA, sendo ainda responsáveis por 11% das emissões poluentes do país em 2014, segundo dados da Agência de Informação Energética americana, citados pelo Politico.

Merece nota o plano de investimento de 1,5 mil milhões de dólares (cerca de 1,3 mil milhões de euros) iniciado recentemente pelo Estado de Nova Iorque, um dos signatários da nova aliança. O investimento será feito nas áreas das energias renováveis e de eficiência energética e junta-se a um segundo investimento – de 150 milhões de dólares (133 milhões de euros) – em energia solar.