Dez anos depois da decisão tomada por Angela Merkel, a Alemanha vai este sábado desativar as suas três últimas centrais nucleares. Os reatores de Isar 2, Emsland e Neckarwestheim 2 serão desligados durante o dia de hoje. O fim da energia nuclear na maior economia europeia, em plena crise energética, representa um vazio de 6% na produção nacional.
O encerramento destas centrais já se devia ter concretizado, mas um adiamento em virtude da crise energética prolongou a vida útil das mesmas. A decisão tinha sido tomada há mais de dez anos pela ex-chanceler, depois do acidente nuclear de Fukushima (Japão).
O ‘apagão’ nuclear não se fará sentir, pelo menos para já, no mercado de gás natural, onde alguns analistas prevêem um aumento da procura nos próximos meses. Também o mercado do carvão deverá registar um aumento da demanda, para garantir o abastecimento energético do país. O plano estratégico do governo alemão prevê que as renováveis cubram cerca de 80% do consumo até 2030. No ano passado, essa percentagem estava nos 46,3%.
Contudo, nem todos defendem a medida, especialmente no atual contexto geopolítico e macroeconómico.
Numa carta aberta enviada esta sexta-feira ao chanceler alemão, Olaf Scholz, cerca de 20 cientistas, incluíndo dois laureados com o Nobel, pediram que as centrais continuassem a operar, escreve a agência Efe.
“No interesse dos cidadãos da Alemanha, da Europa e do mundo, pedimos que reconsiderem os planos de eliminar gradualmente a energia nuclear e continuem a usar as centrais nucleares restantes”, lê-se na carta, que invoca a “responsabilidade especial” de Scholz.
Importa ainda notar que a Comissão Europeia já se prepara para uma nova fase de armazenamento de gás natural e prevê apresentar na próxima semana a sua própria plataforma de compra. A intenção de Bruxelas é poder realizar as primeiras operações de compra em meados de maio e o objetivo é que essas aquisições representem cerca de 15% do gás de que a Europa precisará para assegurar as reservas para o inverno.