Administração Biden aumenta pressão sobre Benjamin Netanyahu

Num esforço a que a proximidade das eleições norte-americanas não é alheia, o secretário de Estado, Antony Blinken, está a pressionar Israel para que aceite o acordo proposto pela Casa Branca.

Administração Biden aumenta pressão sobre Benjamin Netanyahu
Antony Blinken

Num contexto em que todas as vitórias diplomáticas são uma vitória interna para Kamala Harris, na sua corrido contra Donald Trump, a administração democrata da Casa Branca aumentou o grau de pressão sobre o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e conseguiu aquilo que parece ser um pequeno avanço, no sentido de um acordo com o Hamas. Ao cabo de três horas de reunião, com o secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, Netanyahu divulgou uma declaração, apoiando a mais recente “proposta de ponte” dos Estados Unidos, apresentada a Israel e transmitida ao Hamas, no final das negociações que ocorreram em Doha na semana passada.

“O primeiro-ministro reiterou o compromisso de Israel com a atual proposta norte-americana sobre a libertação dos reféns, que leva em consideração as necessidades de segurança de Israel, nas quais insiste fortemente”, disse o gabinete do primeiro-ministro, em comunicado divulgado em hebraico e inglês. Foi a primeira vez que Netanyahu se mostrou favorável ao documento – depois de, num primeiro momento, ter sido muito cauteloso. “Contém componentes que são aceitáveis para Israel”. Refere a nota que comenta o acordo.

Mas, como o Hamas rejeitou a fórmula dos Estados Unidos ainda no domingo, acusando Netanyahu de “estabelecer novas condições e exigências”, a aceitação final do acordo ainda está muito longe.

A proposta elaborada pelos Estados Unidos para permitir a finalização de um acordo, que ‘troque’ os reféns por um cessar-fogo, tentava encontrar uma solução para o facto de haver o envio contínuo de forças israelitas para a fronteira Gaza-Egipto e para o chamado Corredor Netzarim (que atravessa Gaza). A proposta norte-americana favorece a presença militar israelita na fronteira Gaza-Egipto (o chamado Corredor Philadelphia). De acordo com o jornal libanês “Al-Akhbar”, Israel terá concordado em reduzir gradualmente o número de soldados destacados no Corredor Philadelphia, enquanto, em troca, o Cairo concordou em não estabelecer um cronograma para a retirada completa das suas tropas estacionadas nas imediações.

Blinken insistiu em que é o momento para o acordo. “É hora de isto ser feito. Também é hora de garantir que ninguém tome medidas que possam atrapalhar este processo. Portanto, estamos a procurar garantir que não haja escalada, que não haja provocações, que não haja ações que de alguma forma possam afastar-nos de conseguir o acordo e nesse caso ver a escalada do conflito para outros lugares e com maior intensidade”. “É hora de todos aceitarem o ‘sim’ e deixar de procurar desculpas para dizer ‘não’”, enfatizou.

Do outro lado, a convicção é que as negociações para o cessar-fogo e um acordo para a libertação dos reféns estão paralisadas, apesar de os Estados Unidos “pintarem um quadro cor-de-rosa”, disse um representante do Hamas na Turquia, citado pelos jornais do país. De acordo com fontes diplomáticas turcas, o Hamas entrou em contato com a Turquia, no fim-de-semana, e informou que o processo de negociação com Israel está parado e que o otimismo manifestado pelos Estados Unidos não tem correspondência com a realidade.

De acordo com o Hamas, as condições apresentadas por Israel ficaram aquém do cenário apoiado pelo Conselho de Segurança da ONU, em 10 de junho, e das condições aprovadas pelo Hamas, em 2 de julho. O Hamas diz que Israel quer impor a presença no Corredor Philadélfia, controlar postos no Corredor Netzarim, monitorizar os moradores de Gaza que passam do sul para o norte e quer ainda  o veto de 100 nomes de uma lista de cerca de 300 prisioneiros que o Hamas pretende ver libertados. De acordo com o Hamas, o objetivo final do primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, é ganhar tempo para continuar as operações militares.

O secretário de Estado continua pelo Médio Oriente, para se encontrar com o ministro da Defesa, Yoav Gallant. Depois disso, seguirá para o Egipto, onde terá encontros com as outras partes que fazem parte do restrito grupo de negociadores.

Entretanto, o diplomata britânico Mark Smith, que deixou o cargo que ocupava na embaixada de Dublin, diz que levantou preocupações sobre a venda de armas a Israel, junto do secretário das Relações Exteriores, e que o Estado hebraico está “flagrante e regularmente” a cometer crimes de guerra em Gaza. Smith renunciou recentemente à carreira diplomática, devido ao fracasso dos ministros em proibirem a venda de armas ao governo de Benjamin Netanyahu. Mark Smith era oficial de contraterrorismo na embaixada britânica em Dublin.

 

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