Adaptação e reinvenção contínua

O início do ano letivo deve ser encarado como uma oportunidade de implementar as novas metodologias que aprendemos nas nossas experiências online e de incutir mais autonomia nos nossos alunos.

Adaptação e reinvenção contínua
Telma Luis Web

No momento em que escolas por todo o mundo se preparam para receber os seus alunos, colaboradores e membros da comunidade escolar nas suas instalações para mais um ano letivo, inúmeras perguntas ainda pairam no ar. Será que podemos manter a segurança de todos? Teremos espaço suficiente para garantir o distanciamento social? Como serão consolidados os conteúdos lecionados à distância? E as disciplinas práticas, como Educação Física e Música?

Com tanta incerteza, os estabelecimentos de ensino enfrentam o enorme desafio de garantir qualidade de ensino, enquanto asseguram que as medidas de segurança ditadas pelas autoridades de saúde competentes sejam respeitadas.

É globalmente reconhecido que as escolas, professores e famílias tiveram de se reinventar durante o período de confinamento. Todavia, a necessidade de reajuste e reinvenção ainda persiste. Embora estejamos a regressar aos ambientes escolares, estes poderão parecer menos familiares para os membros das diferentes comunidades escolares, pois, neste momento, encontramos espaços físicos diferentes: as salas de aula, refeitórios, gabinetes foram reorganizados e significativamente adaptados para garantir a segurança de todos. As rotinas diárias também foram drasticamente alteradas, com horários novos, períodos de intervalo diferentes e procedimentos inéditos.

Todas estas alterações são indubitavelmente necessárias, e ainda que possam ser difíceis de interiorizar, temos de entender que são essenciais para o bem-estar de todos. A nossa capacidade de adaptação está certamente a ser testada, mas escolas por todo o mundo estão a mostrar que esta capacidade é, de facto, incrível!

Num curtíssimo espaço de tempo, conseguimos mudar a forma como ensinamos, num ambiente virtual. Agora, temos de nos adaptar novamente a modelos presenciais, flexíveis, ajustados às necessidades de cada escola. Com modelos híbridos, alunos e funcionários forçados a ficar em casa, e planos de contingência, as escolas estão a mostrar que estão à altura do desafio.

Embora estes tempos sejam difíceis, as comunidades escolares devem sentir orgulho. Fomos capazes de manter saudável e cheio de força um dos pilares mais importantes (senão o mais importante) da sociedade. Pode ser discutível se tanto o nível e como o volume de aprendizagem foram mantidos, mas o facto é que os nossos filhos continuaram a aprender, a crescer e a progredir nestes tempos sem precedentes.

Pode-se, até, dizer que as crianças têm, na realidade, adquirido novas competências, dando, talvez, mais valor a fatores que, de outra forma, teriam dado como garantidos. Aspetos como a interação social com a família, a autonomia e a capacidade de organização, e claro, a aptidão tecnológica.

Munidos com estas novas competências, os alunos estão, agora, a regressar às suas escolas. E o desafio continua, com novos formatos de aula, meios de avaliação diferentes e interação social condicionada. A forma como ensinamos está a mudar, e muitos têm a opinião de que tal mudança na educação já deveria ter acontecido há muito tempo.

Ao iniciar um novo ano letivo, devemos encará-lo de forma positiva, como uma oportunidade de implementar as novas metodologias que aprendemos nas nossas experiências online, como uma ocasião de experimentar novas abordagens, de continuar a incutir mais autonomia nos nossos alunos. Uma oportunidade de continuar a adaptar e reinventar na educação.