O Abanca registou um lucro de 207,5 milhões de euros no primeiro trimestre de 2026 o que compara com 220 milhões de euros no primeiro trimestre de 2025, ou seja, traduz uma queda de 5,7%. Este desempenho representa uma rentabilidade sólida, medida pelo ROTE, de 13,2%.
Mesmo com a acentuada redução das taxas de juro, a receita da margem gerada pela atividade com os clientes subiu devido ao maior volume de negócio. As receitas de comissões registaram um salto de 21,6%, impulsionadas por todas as áreas. As cobranças e pagamentos aumentaram 8,4%, complementados por um aumento de 18,6% em seguros de vida e 18,2% em recursos fora do balanço e seguros gerais.
A gestão de custos do banco beneficiou de sinergias e de uma maior racionalização. Para potenciar os lucros futuros, a instituição optou por antecipar alguns encargos, mantendo o corte de despesas supérfluas. O rácio de eficiência melhorou 0,5 pontos percentuais face ao período homólogo, aproximando-se da meta dos 50%.
“O Abanca mantém uma abordagem prudente na constituição de provisões, apesar dos seus elevados níveis de cobertura. O custo do risco permanece controlado, em 0,26%, com um rácio de incumprimento de 2,0% e um rácio de cobertura de crédito em incumprimento de 84,8%”, refere o banco espanhol.
Durante os primeiros três meses do ano, o Abanca captou mais de 37.000 novos clientes, um aumento de 2% face ao período homólogo. É de salientar que 71% destas novas captações ocorreram em geografias onde o banco ainda não detém uma posição de liderança, “demonstrando a eficácia da sua estratégia de expansão”.
O Abanca está em Portugal com um banco de direito local desde que comprou o EuroBic.
O volume de negócio total gerido pela instituição superou os 138.000 milhões de euros, o que traduz um crescimento de 6,5% em comparação com março de 2025.
O banco destaca que a carteira de crédito em situação regular cresceu 9,0%, sendo maioritariamente composta por empresas e famílias (84%). O crédito ao setor privado aumentou 4,0% em termos homólogos.
O crédito a clientes fixou-se nos 54.332 milhões de euros, enquanto os recursos totais ascenderam a 83.795 milhões de euros (+5,2%).
Por tipologia, 76% correspondem a depósitos (à ordem e a prazo) e 24% a recursos fora do balanço (fundos de investimento, pensões e seguros de poupança).
Os depósitos de clientes superam os 63 mil milhões de euros, após um crescimento de 1,3%. A carteira apresenta um perfil claramente de retalho: 94% dos depósitos pertencem a famílias e empresas, maioritariamente com saldos inferiores a 100 mil euros.
Os recursos fora do balanço, que incluem fundos de investimento, pensões e seguros de poupança, registaram uma evolução particularmente positiva, atingindo os 20.519 milhões de euros — um salto de 19,3% em termos homólogos.
A qualidade do crédito continua a ser uma prioridade, com o rácio de incumprimento (NPL) a situar-se nos 2,0%. Em Portugal, este indicador fixou-se nos 2,2%, mantendo-se em níveis muito próximos dos registados em Espanha (1,9%). O rácio de cobertura de crédito em incumprimento subiu para 84,8%, reforçando a prudência da gestão do balanço.
“O forte desempenho comercial reflete-se no perfil financeiro do banco, permitindo-lhe enfrentar um contexto de instabilidade geopolítica a partir de uma posição de robustez: rácio CET1 de 13,8%, rácio Texas de 17,5%, rácio de incumprimento de 2,0%, excedente de capital superior a 2.100 milhões de euros e rácio de cobertura de crédito em incumprimento de 84,8%”, lê-se no comunicado.
Em termos de liquidez, o banco liderado por Francisco Botas diz que dispõe de 22.168 milhões de euros em ativos líquidos, o equivalente a 4,8 vezes os vencimentos previstos de emissões. Adicionalmente, conta com uma capacidade de emissão de obrigações hipotecárias de 7.367 milhões de euros, elevando a sua posição total para 29.534 milhões de euros.
A estrutura de financiamento é predominantemente de retalho, com 86% de depósitos de clientes particulares e empresariais, e um rácio LTD de 85,9%. Em liquidez, o Abanca apresenta rácios de 142% em financiamento estável líquido (NSFR) e de 191% em cobertura de liquidez (LCR). Os ativos líquidos de elevada qualidade (HQLA) totalizam 13.802 milhões de euros.
A instituição destacou ainda a adoção intensiva de Inteligência Artificial (IA), com 110 casos de uso já implementados, o que tem permitido ganhos de produtividade e uma maior personalização da oferta comercial.