A Temporada Portugal-França 2022 despede-se em outubro

Poderia ser um momento marcado pela tristeza, esta despedida outonal da Temporada 2022, mas são muitos os motivos para continuar a celebrar este encontro entre a Cultura dos dois países. Até 30 de outubro, "cruzar" continua a ser o verbo a conjugar.

A Temporada Portugal-França 2022 despede-se em outubro
Monumental Tour

A Temporada Portugal-França 2022 aproxima-se do fim, após sete meses intensos, com uma programação eclética e plural um pouco por todo o país. Mas, antes de o pano cair sobre o palco, muito vai ainda acontecer, mais concretamente, haverá 32 novos projetos em 20 municípios para agitar águas, e uma grande festa de encerramento, em Lisboa, com muitas surpresas à mistura.

Começando pela sétima arte, estão marcados encontros com a 20.ª edição do Doclisboa, que encerra a 16 de outubro, e com a 23.ª edição da Festa do Cinema Francês, que tem início a 26 de outubro e decorre até 20 de novembro, em várias localidades. Os países africanos cujas histórias cruzam o passado colonial de França e Portugal serão o mote dos diálogos cinematográficos presentes nestes festivais. Mas não só. Também serve de ponto de partida para debater a vida e obra de uma figura feminina que marcou o projeto europeu. Simone Veil (1927-2017), a primeira mulher a presidir ao Parlamento Europeu e cuja mensagem humanista permanece muito viva, é a protagonista de “Simone, a viagem do século”, de Olivier Dahan, que será exibido no âmbito Festa do Cinema Francês.

O painel desafiado a debater o legado de Simone Veil é composto pela fotógrafa Micheline Peletier e pelas escritoras Lëila Slimani e Sofia Marion, a decorrer no Cinema São Jorge, dia 28, às 19h00. No dia seguinte, na Praça Europa, pelas 12h00, será inaugurada uma peça escultórica tridimensional, em sua homenagem, da autoria de Maria Ana Vasco Costa. A escultura traz em si uma citação de Simone: “Nous sommes responsables de ce qui nous unira demain”/“Somos responsáveis pelo que amanhã nos irá unir”.

E, se o cinema é catalisador de narrativas urgentes e veículo de análise e aprendizagem, o Fórum Igualdade, que decorre em Guimarães, no Teatro Jordão, entre os dias 18 e 20 de outubro, promove e acredita na construção de uma sociedade mais justa e igualitária, nascida de uma vontade comum de França e Portugal.

Uma das linhas de programação da Temporada é, precisamente, apresentar propostas que promovam uma cultura de igualdade e prevenção da discriminação em todas as áreas. Valores que vão nortear os Encontros Económicos Franco-Portugueses, que terão lugar em Coimbra, no Instituto Pedro Nunes, dia 24, e em Lisboa, no Fórum Oceano, dia 28. Objetivo? Encontrar soluções conjuntas e inovadoras para o futuro.

Às mesas redondas juntam-se várias propostas no âmbito das artes visuais e performativas, como a exposição “Echoes of Nature”, de Manuela Marques – um dos nomes mais singulares e internacionais da fotografia portuguesa. Um universo peculiar que poderá desvendar a partir de dia 21 de outubro, e até 29 de janeiro de 2023, no Museu Nacional de Arte Contemporânea do Chiado, em Lisboa. E porque os museus são locais de saber e memória, também o Museu Nacional de Arte Antiga –num intercâmbio com o Musée du Louvre – se associa à Temporada acolhendo o importante “Retrato do Artista”, de um dos principais representantes do Classicismo na pintura francesa, Nicolas Poussin (1594-1665), de 25 de outubro a 15 de janeiro de 2023.

Em Odivelas, no Centro Cultural Malaposta, a Mostra Outras Pistas apresenta espetáculos franco-portugueses de novo circo, com destaque para “Três”, do Groupe Zède, com o acrobata Leonardo Ferreira, no dia 15 de outubro. E sendo uma “temporada cruzada”, também o festival Amadora BD, que decorre de 20 a 30 de outubro, se vai cruzar com o Festival Lyon BD. Vida longa à BD, apetece dizer. Isto antes de rumarmos ao espaço. Porquê? Porque a vila de Constância recebe um projeto nascido da parceria entre campanhas para lançamento de Rockets, a European Rocketry Challenge – EuRoC, promovida pela Agência Espacial Portuguesa, e a C’Space, do Centre National d’Études Spatiales, e, para tal, está transformada em laboratório de experimentação.

Para que não falte música na reta final da Temporada, Lisboa recebe a Monumental Tour, concebida pelo DJ e produtor francês Michael Canitrot, que nesta ocasião especial, na Praça do Município, vai combinar música eletrónica, património e arte digital – ambos no dia 29, às 17h00 e a partir das 20h30, respetivamente. Antes de Canitrot, atuam os DJs portugueses Diana Oliveira e Xinobi, acompanhados de projeções de video-mapping, pelo coletivo AV-Extendido e pela artista visual Vanessa Teodoro, que pintam a Câmara Municipal de Lisboa.

Jöel Pommerat, criador do espetáculo “Ça ira (1) Fin de Louis”, encerra as festividades, com a sua última apresentação mundial, no Teatro Nacional D. Maria II, dia 30 de outubro, às 16h00.

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