O 5 de outubro não é apenas um feriado. É, também, o dia de aniversário do MAAT – Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia, em Lisboa. No ano em que celebra nove décadas de existência, marcadas pela inquietude e questionamento, onde a Arte se quer um interlocutor ativo com os mais diversos públicos – sim, plural, pois os visitantes não são uma mole uniforme – o museu apresenta as exposições Cerith Wyn Evans: Formas no Espaço… através da Luz (no Tempo) e Fluxes.
A primeira é composta por grandes esculturas de luz que desafiam a perceção, da autoria do britânico Cerith Wyn Evans, cuja prática conceptual explora os diferentes meios de comunicar ideias através da forma. Começou a sua carreira como cineasta, desde curtas-metragens e filmes experimentais a obras colaborativas, mas desde a década de 1990 que se tem focado na linguagem e na perceção sensorial. Formas no Espaço… através da Luz (no Tempo) propõe diferentes experiências discursivas sempre muito… sensoriais.
No caso de Fluxes, estaremos perante um atlas multimédia dos milhões de toneladas de resíduos produzidos pela humanidade, compilado no âmbito da 7.ª Trienal de Arquitectura de Lisboa e que integra a segunda temporada da programação do MAAT. Tal como a exposição Notre Feu, da artista Isabelle Ferreira, com obras que evocam a viagem dos emigrantes portugueses que, no início dos anos 60, em plena ditadura, fugiam clandestinamente para França – o chamado “Salto”.
A artista Isabelle Ferreira reinventa formas, cores, técnicas e materiais. Tábuas de madeira, agrafos e tijolos são matérias-primas brutas e recorrentes que através do seu gesto radical se transformam em notas de pinturas esculpidas ou instalações de cores e volumes. Isabelle Ferreira nasceu em França, mas neste “Salto” explora as suas raízes portuguesas, transformando, com o seu gesto radical, tábuas de madeira, agrafos e tijolos em mensagens subliminares sobre os dramas da emigração.
É também este tema que se encontra no cerne de uma instalação de grande escala do artista angolano Kiluanji Kia Henda, apresentada no contexto da BoCA – Bienal de Artes Contemporâneas 2025, e que será instalada na Praça do Carvão, no exterior do MAAT Central, a partir de 4 de outubro. Trata-se de um labirinto que coloca o público em contacto com um território hostil que aponta para os dilemas da crise migratória no Mediterrâneo e para os mecanismos de vigilância e exclusão.
O programa da nova temporada inclui, ainda, um “desvio” a não perder. Detour, a retrospetiva de Pedro Casqueiro, pintor nascido em Lisboa, onde vive e trabalha. Referência incontornável da pintura contemporânea portuguesa, tem explorado diversos suportes pictóricos, sendo a sua prática frequentemente caracterizada como avessa às lógicas de classificação que mapeiam uma produção autoral, suprimindo desvios à norma. Lá está, “desvios”. Desde a figuração por pictogramas e referências a banda desenhada e imagens pop, à utilização de gráficos, lettering e palavra pintada, onde a ironia face à realidade está muitas vezes presente.
Nova temporada 2025/26 no MAAT:
Cerith Wyn Evans: Formas no Espaço… através da Luz (no Tempo)
Curadoria: Sérgio Mah; 05 outubro – 16 fevereiro 2026; MAAT Gallery
Fluxes: Trienal de Arquitetura 2025
Curadoria: Ann-Sofi Rönnskog e John Palmesino, Territorial Agency
05 outubro – 19 janeiro 2026; MAAT Central
Isabelle Ferreira: Notre Feu
Curadoria: Joana Neves; 22 outubro – 16 fevereiro 2026; MAAT Gallery
Pedro Casqueiro: Detour
Curadoria: João Pinharanda; 12 novembro – 06 abril 2026; MAAT Central