6G poderá tornar-se a infraestrutura crítica para a próxima geração de Inteligência Artificial

A próxima geração de redes móveis, o 6G, poderá tornar-se a infraestrutura crítica para a próxima vaga de desenvolvimento da Inteligência Artificial, permitindo sistemas de IA em larga escala, aplicações imersivas e novos modelos de negócio digitais.

6G poderá tornar-se a infraestrutura crítica para a próxima geração de Inteligência Artificial
TWO Design, Claudia De Bruyn

O estudo “The 6G Network Is the Future of AI” da Boston Consulting Group (BCG) posiciona a próxima geração de redes móveis como a infraestrutura essencial para escalar a Inteligência Artificial, evoluindo de comunicações para computação distribuída.

A próxima geração de redes móveis, o 6G, poderá tornar-se assim a infraestrutura crítica para a próxima vaga de desenvolvimento da Inteligência Artificial, permitindo sistemas de IA em larga escala, aplicações imersivas e novos modelos de negócio digitais.

De acordo com o estudo “The 6G Network Is the Future of AI” da Boston Consulting Group (BCG), as redes móveis estão a evoluir de simples sistemas de comunicação para plataformas capazes de suportar aplicações intensivas em dados, sensores e IA. Ao contrário das aplicações digitais tradicionais, a nova geração de sistemas de IA gera tráfego intensivo em uplink, exige latência determinística e depende de uma arquitetura distribuída entre dispositivos, edge e cloud — requisitos que excedem as capacidades das redes atuais.

Eduardo Bicacro, da BCG, destaca que o 6G é uma condição necessária para aplicações em tempo real, prometendo avanços na automação industrial e realidade imersiva no final desta década.

“Estamos a passar de redes otimizadas para consumo de conteúdo para redes desenhadas para geração contínua de dados e decisão em tempo real. As aplicações de IA exigem uplink significativo, latência determinística e uma arquitetura distribuída entre device, edge e cloud — requisitos que tornam o 6G não apenas uma evolução, mas uma condição necessária para escalar a IA na sociedade e na economia”, afirma Eduardo Bicacro, Managing Director and Partner da Boston Consulting Group.

O sucesso da implementação dependerá de investimentos estratégicos em espetro e talento para superar as limitações atuais de uplink e latência, defende a BCG.

A consultora lembra que o lançamento comercial do 5G, em 2019, representou uma mudança estrutural na conectividade móvel, permitindo maior velocidade, menor latência e a ligação simultânea de milhões de dispositivos. Segundo a BCG, as aplicações suportadas por 5G já geraram mais de um bilião de dólares em impacto económico global, podendo ultrapassar 6 biliões de dólares até 2030 e aproximar-se dos 18 biliões até 2035. Esta tecnologia permitiu acelerar a transformação digital em vários setores, desde a indústria à saúde, bem como o desenvolvimento de novos modelos de negócio digitais e serviços baseados em dados.

Previsto para surgir no final desta década, o 6G deverá trazer melhorias significativas em capacidade de rede, latência e integração entre dispositivos, sensores e infraestruturas digitais. Estas aplicações partilham requisitos técnicos comuns — elevada capacidade de uplink para transmissão contínua de dados, latência previsível para decisões em tempo real e integração entre diferentes camadas de computação. Entre as novas aplicações esperadas destacam-se a automação industrial avançada e robótica colaborativa, experiências imersivas em realidade aumentada e realidade virtual, cidades inteligentes e infraestruturas urbanas conectadas, sistemas de mobilidade autónoma, e monitorização remota e cuidados de saúde digitais.

O estudo sublinha que o 6G permitirá uma integração mais profunda entre o mundo físico e o digital, com sistemas de IA capazes de operar continuamente em ambientes reais, recolhendo e processando dados em tempo real. Nenhuma camada isolada — dispositivo, edge ou cloud — consegue suportar estes workloads de forma eficiente. O 6G será desenhado para orquestrar estas camadas de forma dinâmica, otimizando latência, capacidade e consumo energético.

Apesar do potencial tecnológico, o relatório alerta que a concretização desta nova geração de redes dependerá de decisões estratégicas tomadas nos próximos anos. Em particular, governos e indústria terão de atuar em quatro áreas fundamentais: acesso ao espetro de radiofrequência necessário, desenvolvimento de padrões tecnológicos globais, investimento contínuo em investigação e desenvolvimento, e formação e atração de talento tecnológico especializado.

O estudo da BCG conclui que, à medida que a IA evolui para sistemas contínuos e multimodais que operam em tempo real entre dispositivos, sensores e infraestruturas, a conectividade torna-se um elemento crítico de desempenho. Sem as evoluções trazidas pelo 6G, as redes enfrentarão congestionamento em uplink, latências inconsistentes e limitações na escalabilidade das aplicações de IA. As decisões tomadas durante esta década, desde o investimento em investigação até ao desenvolvimento de talento e à definição de políticas de conectividade, serão determinantes para definir como a próxima geração de tecnologias digitais será desenvolvida e utilizada.

Relacionado

Instabilidade mundial e IA obrigam empresas a mudar gestão de risco

Instabilidade mundial e IA obrigam empresas a mudar gestão de risco

Bianca Marques15 Jun
De acordo com o novo estudo "Risk and Compliance 2026: Refining Oversight for a Volatile, AI-Driven World", feito pela Boston Consulting Group (BCG), os gestores sofrem grandes pressões em três áreas ligadas entre si. São elas as divisões políticas entre países, os problemas nas cadeias de distribuição e o aumento dos ataques informáticos.