O número crescente de mortes na cidade de Nova Iorque e Nova Orleans mostraram que uma onda letal de infeções por coronavírus está a instalar-se onde menos se esperava: em áreas urbanas relativamente ricas e com o melhor do sistema de saúde à sua disposição.
Governadores, ‘mayors’ e médicos manifestaram há semanas alarme devido à escassez de equipamentos de proteção individual para os profissionais de saúde de primeira linha, de ventiladores e de outros materiais médicos.
Com o stok estratégico nacional do governo federal quase esgotado, os Estados foram forçados a competir entre si no mercado aberto para adquiriem os produtos em falta, o que acaba por ser uma situação bizarra: os Estados mais ricos ganham esta batalha, à falta de um entendimento nacional sobre a matéria.
Cidades em todo o país esforçaram-se para aumentar a sua capacidade hospitalar e recrutar profissionais da área da saúde na reforma. A cidade de Nova Iorque, epicentro da pandemia nos Estados Unidos, tem apenas alguns dias para se preparar para o pior surto, disse o ‘mayor’ Bill de Blasio, um democrata cuja cidade sofreu mais de um quarto das mais de sete mil mortes ocorridas em todo o país.
Nova Iorque está numa “corrida extraordinária contra o tempo”, disse Blasio, renovando o seu apelo ao governo federal para mobilizar as forças armadas dos Estados Unidos. “Estamos a lidar com um inimigo que está a matar milhares de norte-americanos, e muitas pessoas a morrer e isso não precisa de acontecer”, disse.
Na Casa Branca, o presidente Donald Trump pareceu complicar ainda mais ao anunciar que as autoridades federais de saúde recomendam agora que as pessoas usem máscaras faciais de pano para impedir a transmissão do vírus. Mas Trump disse que esta alternativa é puramente voluntária e que ele mesmo não atenderia à recomendação.