Os produtores de champanhe em França antecipam que este ano registem vendas recordistas, apesar da pandemia e do surgimento da variante Ómicron do vírus, que voltou a paralisar viagens e comércio em vários países. A L’Union des Maisons de Champagne (UMC), que representa os fabricantes do espumante da região de Champanhe, prevê que a faturação seja de 5,5 mil milhões de euros em 2021.
O valor representa um aumento relativamente ao máximo até então registado, de 5 mil milhões de euros, em 2019, de acordo com o presidente do grupo UMC. “Tem tido tudo tão inesperado que vimos algumas falhas na cadeia de abastecimento, como aconteceu em todos os outros produtos”, começou por explicar Jean-Marie Barillere à Reuters.
Já Benoit Melendez, que tem uma adega especializada em champanhe do centro de Paris, teme o timing das entregas de alguns fornecedores, apesar de não haver um problema de escassez iminente. “O meu medo é não conseguir satisfazer os clientes [até dia 31 de dezembro, quando se comemora o réveillon] que procuram coisas específicas”, admitiu, em declarações à agência noticiosa.
Apesar dos recordes, este ano o mercado entrou em polvorosa quando o presidente russo criou uma lei que chocou os franceses e o sector das bebidas em particular. Vladimir Putin estabeleceu uma polémica regra na qual os produtores estrangeiros têm de escrever no verso das garrafas “vinho espumante” – incluindo os franceses e o seu champanhe. Ou seja, só os produtores russos podem chamar às suas bebidas “shampanskoye” (champanhe).
A França – que produz cerca de 231 milhões de garrafas de champanhe por ano – não gostou da decisão da Rússia, até porque é bastante rígida na proteção do seu espumante e garante que só pode ser chamado champanhe àquele que é da região de Champagne, uma vez que é onde o terroir (terreno para cultivo) permite criar as especificidades da bebida, feita através das castas chardonnay, pinot noir, meunier, arbane, petit meslier, pinot blanc ou pinot gris.
A maior empresa francesa da indústria, do grupo LVMH, considerou a lei russa inaceitável. A Moët Hennessy, fabricante dos dos Moët & Chandon, viu-se até obrigada a suspender as entregas para a Rússia – que importa quase 50 milhões de litros de espumante por ano, sendo que o champanhe francês representa 13% dessa percentagem (e a Moët Hennessy 2%) – durante um fim de semana para conseguir anexar o tal rótulo de “vinho espumante” nas garrafas que ia exportar e cumprir a lei.