Riscos crescentes pressionam exportadoras

As empresas portuguesas estão a exportar cada vez mais, constituindo o motor do crescimento da economia. Só nos primeiros nove meses do ano, as vendas ao exterior aumentaram 10,7%.

Riscos crescentes pressionam exportadoras
Peter Nicholls/Reuters

As empresas portuguesas enfrentam riscos crescentes nos seus processos de exportação e internacionalização, que podem colocar em causa a sua sustentabilidade caso não sejam devidamente mitigados e transferidos para um segurador. Esta é uma das conclusões apresentada pela MDS, multinacional de origem portuguesa líder na corretagem de seguros e consultoria de riscos, no evento Portugal Exportador, recentemente realizado em Lisboa.

Entre os principais riscos associados à exportação e à internacionalização a que as empresas têm de ter em atenção e proteger estão os legais e regulatórios; os de foro político; a continuidade do negócio; colaboradores; crédito; responsabilidades diversas; entrega dos produtos; ‘cyber risk’; perdas cambiais; transferência de divisas; políticas aduaneiras ou defesa da marca e da propriedade intelectual.

Se os programas de seguro construídos para o efeito não forem corretamente pensados e projetados, a empresa pode incorrer em prejuízos, multas e processos judiciais contra a organização, e consequentemente, contra a sua própria gestão, podendo inclusive por em causa a continuidade do negócio e da empresa.

Tal como frisou Mário Vinhas, deputy executive director da MDS Portugal, os mercados externos apresentam “um forte potencial de crescimento para as empresas portuguesas, mas também trazem ameaças que devem ser acauteladas”.

Na sua ótica, as empresas exportadoras e internacionalizadas necessitam de proteger os seus ativos pessoais e patrimoniais contra os riscos a que estão expostas sob pena de verem a sua atividade afetada em caso de sinistros.

Para tal, acrescenta ainda o responsável, “devem recorrer à consultoria de riscos e à contratação de seguros adequados, assegurando o desenvolvimento sustentável do negócio e garantindo que a solidez e perenidade das empresas não é posta em causa por uma aposta no crescimento internacional”.

Em Portugal, segundo assegura a Associação Portuguesa de Seguradores (APS), o setor segurador a atuar neste segmento mercado, do seguro de crédito, tem atualmente uma oferta muito abrangente para as empresas exportadoras, em resposta, também, a uma procura crescente por parte das empresas nacionais – como se verifica pelo crescimento significativo do número de empresas com apólice de seguro de créditos.

O produto de seguro de crédito à exportação, “efetivamente, dá segurança às empresas para entrar em novos mercados, o que é demonstrado por um estudo recentemente realizado pela Universidade de Leeds no Reino Unido, e realizado a nível europeu, que demonstra que empresas com seguro de créditos estão a conseguir exportar para o dobro dos países”, reforça a associação. Considerando que neste momento os operadores nacionais não enfrentam constrangimentos à expansão da sua oferta, a APS perspetiva mesmo que o mercado continue a evoluir “muito positivamente” na dinamização das suas ofertas para as empresas nacionais.

Recorde-se que Portugal tem hoje mais de 46 mil empresas exportadoras, sendo a maioria empresas de pequena e média dimensão. O volume anual de exportações supera os 50 mil milhões, apresentando uma tendência de evolução positiva. Desde o início do ano, e até final de setembro, as exportações nacionais cresceram 10,7%, com comparações homólogas mensais sempre positivas.

Espanha é o principal mercado de exportação português, seguido pela Alemanha e pela França. Fora da União Europeia, os EUA assumiram-se como principal mercado no terceiro trimestre de 2017.

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