A maior montra de arte contemporânea da Península Ibérica está aí!

A maior montra de arte contemporânea da Península Ibérica está aí!
A maior montra de arte contemporânea da Península Ibérica está aí!

De 25 de fevereiro e 1 de março, a capital espanhola recebe a 34.ª edição da ARCO Madrid, onde Portugal está representado por 12 galerias. Este ano o país convidado é a Colômbia.

No total, 212 galerias oriundas de três dezenas de países vão mostrar os seus artistas na Feira Internacional de Arte Contemporânea – ARCO Madrid. Das quais 12 são portuguesas – menos uma que o ano passado. De Lisboa, marcam presença a 3+1 Arte Contemporânea, a Galeria Baginski Projetos, a Carlos Carvalho – Arte Contemporânea, a Galeria Cristina Guerra, a Galeria Filomena Soares, a Galeria Graça Brandão, a Galeria Múrias Centeno, a Galeria Pedro Cera e a Vera Cortês Art Agency. O norte de Portugal, é representado por três espaços: a Quadrado Azul e a Kubikgallery, do Porto, e a Galeria Mário Sequeira, de Braga.

O programa geral conta com a participação de 160 galerias, a que se somam dez da ArcoColômbia, com galerias da Colômbia – país convidado desta edição –, 22 espaços da secção Opening, onde se apresentam os projetos com menos de sete anos de atividade e 24 espaços na área de SoloProjects, dedicada à investigação da produção artística da América Latina.

A Colômbia é representada no certame por dez galerias selecionadas pelo comissário independente colombiano Juan. A. Gaitán – curador da Bienal de Berlim de 2014 – que apresentará 20 jovens artistas, dois por stand, entre eles David Peña, Icaro Zorbar, Marcela Cárdenas e Ricardo León. Esta é apenas uma pequena mas expressiva amostra do mercado colombiano da arte, em Bogotá, capital da Colômbia, onde se encontram sensivelmente 60 galerias de arte e 58 museus.

A secção SoloProjects – comissariada pelo quinteto de curadores Irene Hofmann (EUA), Lucía Sanromán (México), Miguel A. López (Peru), Kiki Mazzucchelli (Brasil) e Emiliano Valdés (Guatemala) – está organizada em três eixos temáticos: “O legado das vanguardas latino-americanas”, “Repensando o formalismo: abstração e fontes vernaculares” e “Performatividade de género e práticas de investigação na América Latina”. E vai reunir 24 galerias, onde serão apresentados artistas como Anna Maria Maiolino, Armando Andrade Tudela, Jaime Davidovich ou Sergio Zevallos.

Este ano, a Opening é co-comissariada pelo mexicano Chris Sharp e pela portuguesa Luiza Teixeira de Freitas, radicada em Londres e que já o ano passado havia partilhado a curadoria desta secção com Manuel Segade, curador espanhol radicado em Paris. Nesta secção dedicada às galerias mais jovens, os curadores propuseram que cada espaço apresentasse uma exposição individual ou, no máximo, de dois artistas. De acordo com uma entrevista dada à ARCO Madrid, os critérios de seleção foram a “qualidade, consistência e frescura. Queremos que o público descubra novos criadores e novas práticas artísticas e que se sinta de alguma forma vinculado às propostas das galerias”, explica Luiza Teixeira de Freitas.

À semelhança das quatro edições anteriores, está prevista a realização do Encontro de Museus da Europa e da Ibero-América, dirigido pelo curador português João Fernandes, subdiretor artístico do Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofía, de Madrid, e por Cuauhtémoc Medina, curador-chefe do Museo Universitario Arte Contemporáneo (México).

Em relação ao ano passado, a IFEMA – Institución Ferial de Madrid (entidade organizadora da ARCO) aumentou a sua taxa de procura em cerca de 24% e integrou 27 novas galerias no programa geral, aumentando também a presença de galerias estrangeiras (sobretudo, provenientes da Europa e da América Latina), que representam cerca de 71% dos espaços que integram o certame. Inclusivamente, a participação da Finlândia como país convidado da edição passada inspirou a confiança de algumas galerias nórdicas, como a Anhava, a Bo Bjerggaard, a Martin Asbaek Gallery e a Nils Staerk, que este ano participam pela primeira vez no evento.

Portugueses que marcam presença
As 12 galerias portuguesas que marcam presença este ano são, ainda assim, em número superior às do país convidado, que apenas se faz representar por dez. A galeria 3+1 Arte Contemporânea, que há duas edições faz parte das jovens galerias da secção Opening, integra pela primeira vez o programa geral, sendo que optou por ter trabalhos da argentina Claire de Santa Coloma e dos portugueses João Ferro Martins, Musa Paradisíaca e Sara & André. “Esperamos maior visibilidade e, sobretudo, mais contacto com colecionadores, pois, por melhores que sejam as propostas na Opening, os colecionadores não chegam àquela zona da feira, por ser isolada e separada do programa geral”, explica Jorge Viegas, proprietário da 3+1.

A Galeria Filomena Soares vai mostrar obras de Ângela Ferreira, Bruno Pacheco, Carlos Motta, Dias & Riedweg, Didier Faustino, Helena Almeida, Herbert Brandl, Igor Jesus, Jaime de La Jara, João Penalva, João Tabarra, José Pedro Croft, Kiluanji Kia Henda, Pedro Barateiro, Peter Zimmermann, Pilar Albarracín, Rodrigo Oliveira, Rui Chafes e Slater Bradley. A aposta da Galeria Cristina Guerra recai apenas em quatro artistas: Filipa César, João Onofre, José Loureiro e Juan Araújo.

Os artistas portugueses Alexandre Farto (conhecido no meio artístico como Vhils), Daniel Blaufuks, Gabriela Albergaria e João Queiroz fazem-se representar pela Vera Cortês Art Agency.

Já a Galeria Pedro Cera leva ao certame madrileno obras de Adam Pendleton, Ana Manso, Antonio Ballester Moreno, Diogo Evangelista, Frank Nitsche, Gil Heitor Cortesão, Gilberto Zorio, Matt Keegan, Pedro Neves Marques, Tobias Rehberger, Vítor Pomar e Yves Oppenheim.
Pedro Cera, que é também o representante português no comité de seleção das galerias, mostra-se confiante, explicando ao OJE que “o mercado espanhol bateu bastante fundo há quatro ou cinco anos, e tem vindo a recuperar de mínimos, pelo menos, a avaliar pelos resultados das edições mais recentes. Por outro lado, a ARCO conta com um importante programa de colecionadores internacionais, onde se integram vários portugueses, que no seu conjunto concorrem para o sucesso da feira”.

Ainda de Lisboa, as galerias Baginski Projetos, Graça Brandão, Murias Centena e a Carlos Carvalho marcam também presença, apresentando a sua seleção de artistas.

De Braga para Madrid, a Galeria Mário Sequeira aposta numa apresentação individual do artista britânico Julian Opie, numa exposição que incluirá vídeo, pintura e escultura.

A Galeria Quadrado Azul, localizada no Porto, leva os sobejamente conhecidos Francisco Tropa, Hugo Canoilas, José de Guimarães e Paulo Nozolino. A Kubikgallery, também localizada na cidade e que o ano passado participou na 5.ª edição da feira de arte JustMad, que decorre na capital espanhola no mesmo período, marca presença pela primeira vez na ARCO Madrid.

Entre artistas consagrados e novas gerações, Portugal reitera a sua presença naquela que é a maior montra de arte contemporânea realizada na Península Ibérica. Recorde-se que a única feira de arte contemporânea de Portugal, a ARTE Lisboa (que chegou a receber cerca de 20 mil visitantes), foi cancelada em 2012 devido à conjuntura económica desfavorável no setor, justificou na altura a organização. O ano passado nasceu, em Cascais, um novo certame, a Est Art Fair – International Contemporary Art Fair, pelas mãos dos portugueses Delfim Sardo e Filipa Oliveira, e do brasileiro Moacir dos Anjos. De acordo com a organização da feira, o balanço foi positivo, tendo recebido cerca de 10 mil visitantes. Ainda assim, nenhuns destes números se aproximam das mais de 100 mil pessoas que visitaram a ARCO Madrid em 2014.

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