Conselho de Transição da Guiné-Bissau diz que cidadãos votaram pela entrada em vigor da nova Constituição

Em conferência de imprensa, transmitida em direto pelos órgãos de comunicação social guineenses, Pinto Lopes observou que a convicção do CNT, que faz o papel do parlamento desde o golpe militar de 26 de novembro passado, é com base nas projeções apresentadas pela Comissão Nacional de Eleições.

Conselho de Transição da Guiné-Bissau diz que cidadãos votaram pela entrada em vigor da nova Constituição
Guiné-Bissau

Um porta-voz do Conselho Nacional da Transição (CNT) da Guiné-Bissau, Alberto Pinto Lopes, afirmou esta segunda-feira, 31 de agosto, que os cidadãos votaram a favor da entrada em vigor da nova Constituição do país no referendo de domingo.

Em conferência de imprensa, transmitida em direto pelos órgãos de comunicação social guineenses, Pinto Lopes observou que a convicção do CNT, que faz o papel do parlamento desde o golpe militar de 26 de novembro passado, é com base nas projeções apresentadas pela Comissão Nacional de Eleições.

O porta-voz da Comissão Nacional de Eleições (CNE) da Guiné-Bissau, Idriça Djaló, anunciou no domingo uma participação acima de 50% de eleitores votantes no referendo à Constituição proposto por militares e segundo a oposição e organizações da sociedade civil, que tinham apelado ao boicote da votação, o processo saldou-se por uma forte abstenção.

“A maioria daqueles que foram votar, votaram sim. Concluindo e resumindo, a vitória do sim está garantida”, sublinhou Alberto Pinto Pereira, referindo que nenhum órgão da soberania poderá colocar em causa os resultados da votação.

O dirigente do CNT lamentou que a oposição tenha “induzido ao erro” os militantes ao apelar ao boicote ao referendo e afirmou que espera que seja coerente e não participar nas próximas eleições legislativas e presidenciais, marcadas para 6 de dezembro.

Alberto Pinto Pereira observou, contudo, que o CNT não iria impedir a participação nas eleições dos partidos que apelaram ao boicote que, disse, passaram “imenso tempo” em discutir sobre quem tinha a legitimidade de propor ao país uma nova Constituição.

Os resultados provisórios do referendo de domingo deverão ser anunciados na terça-feira pela CNE, disseram os órgãos de comunicação social locais.

Os militares guineenses protagonizaram um golpe de Estado em 26 de novembro, um dia antes da publicação dos resultados de eleições legislativas e presidenciais, afastaram do poder o então Presidente eleito, Umaro Sissoco Embaló, e fizeram aprovar uma nova Constituição que reforça os poderes do chefe de Estado.

A oposição considerou que se tratou de um “golpe de Estado cerimonial” para permitir que Sissoco Embaló regresse ao poder através de novas eleições presidenciais e legislativas marcadas pelos militares para 6 de dezembro.

*** A delegação da agência Lusa na Guiné-Bissau está suspensa desde agosto de 2025 após a expulsão pelo Governo dos representantes dos órgãos de comunicação social portugueses. A cobertura está a ser assegurada à distância ***

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