O acesso à habitação é um dos principais problemas do país e torna-se ainda mais desafiante para quem vive sozinho. Perante esse cenário, a opção de comprar casa pode ser mais rentável do que optar pelo arrendamento, mesmo no caso de um T0. Para comprar uma casa desta tipologia é necessário auferir, em média, 33.680 euros líquidos por ano. Se optar pelo arrendamento o rendimento necessário sobe para os 34.800 euros líquidos anuais, segundo os dados do ‘idealista’, divulgados esta quarta-feira.
Com um rendimento líquido de 33.680 euros uma pessoa que queira viver sozinha conseguiria suportar uma prestação mensal de 842 euros, suficiente para financiar um T0 médio em Portugal, cujo preço ronda os 225 mil euros. Além da prestação mensal, seria necessário dispor previamente de cerca de 45 mil euros para suportar a entrada inicial e os custos associados à compra.
Já no mercado de arrendamento os 33.680 euros líquidos anuais permitem suportar uma renda mensal de 870 euros sem ultrapassar a taxa de esforço de 30% recomendada pelos especialistas.
Distritos e ilhas
Os rendimentos necessários variam significativamente consoante o mercado analisado. No caso da compra, a ilha da Madeira é o território onde uma pessoa sozinha necessita de auferir o rendimento mais elevado: 49.400 euros líquidos anuais, além de dispor da entrada necessária. Seguem-se Lisboa (47.520 euros), Setúbal (34.440 euros), Porto (32.920 euros), Aveiro (31.440 euros), Viana do Castelo (30.840 euros), Faro (30.680 euros) e Coimbra (30.240 euros).
Também Braga (27.400 euros), Leiria (26.720 euros), Bragança (25.440 euros), Santarém (20.960 euros), Viseu (18.720 euros), Beja (16.480 euros), Vila Real (15.720 euros), Guarda (14.480 euros) e Évora (11.440 euros) apresentam exigências distintas para quem pretende comprar um T0. Évora (11.440 euros) é o distrito onde uma pessoa sozinha necessita de auferir menos para comprar um T0, seguido da Guarda (14.480 euros) e de Vila Real (15.720 euros).
No caso do arrendamento, Lisboa é o território mais exigente, sendo necessário auferir 40 mil euros líquidos anuais para arrendar um T0 sozinho. Seguem-se a ilha da Madeira (36.800 euros), Porto (34.960 euros), Faro e Setúbal (ambos com 34 mil euros).
Com rendimentos necessários acima dos 25 mil euros anuais surgem ainda Évora (29.600 euros), Aveiro (29.200 euros), Braga (28.800 euros), Coimbra (25.200 euros) e Santarém (24 mil euros). No extremo oposto encontram-se Guarda (14 mil euros), Vila Real (16 mil euros) e Viseu (18.280 euros).
Cidades
Entre as cidades analisadas, o Funchal é a cidade onde é necessário auferir o rendimento mais elevado para comprar um T0 sozinho: 53.880 euros líquidos anuais. Seguem-se Lisboa (49.400 euros), Porto (34.800 euros), Aveiro (34.440 euros), Faro (32.920 euros), Viana do Castelo (32 mil euros), Setúbal (30.400 euros) e Coimbra (29.800 euros).
Também Braga (28.440 euros), Leiria (25.920 euros), Bragança (25.440 euros) e Viseu (22.440 euros) exigem rendimentos significativos para a compra desta tipologia.
No arrendamento, Lisboa volta a liderar, exigindo um rendimento líquido anual de 42 mil euros para arrendar um T0 sozinho. Seguem-se Funchal (36.800 euros), Setúbal (35.400 euros), Porto (35.200 euros), Faro (34 mil euros) e Braga (32 mil euros).
No extremo oposto encontram-se Guarda e Vila Real, onde basta auferir 14.000 euros líquidos anuais para arrendar um T0, seguidas de Bragança e Viseu (ambas com 20 mil euros).
Ruben Marques, porta-voz do idealista, afirma que “quem pretende viver sozinho enfrenta um esforço financeiro muito elevado para aceder à habitação. O facto de ser necessário um rendimento superior para arrendar um T0 do que para o comprar evidencia a pressão que continua a existir sobre a oferta de casas mais pequenas em Portugal.”