BlackRock e Pimco estão a recomendar a compra de obrigações soberanas europeias

O motivo principal é que consideram que, o mercado está a precificar de forma exagerada o futuro das taxas de juro do BCE (Banco Central Europeu).

BlackRock e Pimco estão a recomendar a compra de obrigações soberanas europeias
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A BlackRock e a Pimco, duas das maiores gestoras de ativos do mundo, estão a recomendar aos clientes que comprem obrigações soberanas europeias para aproveitar as expetativas desajustadas dos investidores sobre a evolução das taxas de juro do BCE, segundo os media norte-americanos, nomeadamente a Bloomberg.

O mercado está assustado e acha que o BCE vai ter de subir juros mais do que o esperado por causa da inflação da energia. Mas a BlackRock e a PIMCO dizem que “é exagero” e que “o BCE não vai ser tão agressivo”. Por isso, as obrigações europeias (sobretudo as de maturidade mais curta) estão atrativas agora — é uma boa oportunidade para comprar antes de o mercado corrigir essa “precificação errada”.
Esta é uma estratégia clássica de fixed income: apostar em desalinhamentos entre o que o mercado espera e o que os grandes gestores acham que realmente vai acontecer com a política monetária.

A BlackRock (a maior gestora de ativos do mundo) e a Pimco (uma das maiores especialistas em obrigações/fixed income) estão a aconselhar os seus clientes institucionais a comprar obrigações soberanas europeias (dívida pública de países da Zona Euro, como obrigações alemãs — Bunds —, francesas, italianas, espanholas, etc.). O motivo principal é que consideram que, o mercado está a precificar de forma exagerada o futuro das taxas de juro do BCE (Banco Central Europeu).

Recentemente, devido à guerra no Médio Oriente, o preço do petróleo subiu e criou receios de inflação mais alta na Europa. Como reação, os investidores no mercado de obrigações começaram a precificar mais subidas de juros pelo BCE em 2026 (alguns chegavam a descontar 2 ou até 3 aumentos de taxas). Isso fez com que os preços das obrigações descessem (e os yields/juros subissem), especialmente nas obrigações de curto prazo.

Mas a BlackRock e a Pimco acham que o mercado está a ser demasiado pessimista. James Turner (responsável de fixed income EMEA na BlackRock) disse explicitamente: “Não acho que vamos ver três subidas de juros do BCE este ano. Nem tenho a certeza se veremos duas”. Ou seja, o BCE provavelmente não vai subir as taxas tanto quanto o mercado está a antecipar (ou talvez nem suba nada significativo).
Isto porque o impacto da guerra é mais um choque de oferta (preços da energia), que pode travar o crescimento económico, o que torna difícil para o BCE subir juros agressivamente.

Se o BCE não subir as taxas (ou subir menos do que o esperado), as obrigações que hoje estão “baratas” (com yields mais altos devido ao pânico) vão valorizar, defendem a gestoras de ativos. Especialmente as obrigações de curto prazo (shorter-dated), que são mais sensíveis a mudanças nas expectativas de taxas de juro.

Resumindo compram agora a um preço mais baixo, e se as expectativas do mercado se ajustarem para baixo (menos subidas do BCE), os preços das obrigações sobem, o que gera um ganho de capital e logo mais rendimento.

 

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