Fidelização assume papel central no retalho português

Num mercado cada vez mais competitivo e com custos crescentes de publicidade digital, as marcas portuguesas estão a apostar na fidelização de clientes como principal motor de crescimento. Manter clientes existentes tornou-se mais eficiente e rentável do que conquistar novos consumidores, transformando a estratégia de retalho em Portugal.

Fidelização assume papel central no retalho português
Design sem nome (1)

Estudos da Harvard Business Review confirmam que adquirir um cliente novo custa, em média, sete vezes mais do que manter um já existente, tornando a retenção de clientes um fator crítico para a rentabilidade e previsibilidade das empresas.

A economia da fidelização

A centralização de dados e a personalização da experiência do cliente passaram a ser determinantes. Ao consolidar informação das lojas físicas e do comércio eletrónico, as marcas conseguem aumentar o valor de cada cliente e reduzir custos de marketing.

Um exemplo recente é a Quebramar, insígnia portuguesa de moda com mais de 50 lojas físicas e presença online. Nos meses de novembro e dezembro de 2025, 76,2% das vendas da marca foram geradas por clientes fidelizados, num volume de negócios de 6,5 milhões de euros. Mais relevante do que o valor absoluto é a eficiência: a empresa registou um retorno sobre o investimento (ROI) de 21 vezes através do e-mail marketing, canal principal na estratégia de fidelização.

“O grande desafio das marcas hoje não é serem apenas vistas, mas serem escolhidas repetidamente”, afirma Ernesto Ferreira, Head of Global Sales da E-goi, empresa tecnológica que apoiou a Quebramar. “Um cliente fiel não só gera receita recorrente, como reduz custos de marketing e oferece previsibilidade que a publicidade paga já não garante sozinha.”

O regresso ao marketing de relacionamento

A fidelização marca o regresso a um marketing mais humanizado. Centralizar dados permite automatizar benefícios como cashback, cartões digitais e ofertas personalizadas, tornando cada interação mais relevante. No caso da Quebramar, esta abordagem resultou num crescimento de 44% na base de clientes fidelizados desde o relançamento do clube.

Bruno Ribeiro, Diretor Comercial da Quebramar, explica: “A nossa herança está ligada à proximidade. Saber exatamente quem nos compra e oferecer uma experiência personalizada é o que nos permite manter a relevância num mercado de moda tão competitivo.”

Tendências e impacto no retalho

Para analistas do setor, a fidelização deixou de ser apenas uma ferramenta de retenção e passou a ser um motor estratégico de crescimento sustentável. O investimento em tecnologias de dados, automação e personalização está a redefinir a forma como as marcas abordam os clientes.

Espera-se que, nos próximos anos, cada vez mais empresas portuguesas adotem estratégias centradas na retenção, não só para reduzir custos, mas também para aumentar a previsibilidade e a resiliência do negócio. Clientes fidelizados tendem a influenciar outros consumidores de forma orgânica, criando um ciclo de crescimento contínuo.

Para apoiar outros profissionais de marketing a medirem o impacto desta transição estratégica, a E-goi disponibilizou, na página oficial do caso de sucesso com a Quebramar, uma ferramenta gratuita que permite calcular o potencial ROI que uma marca pode atingir através de estratégias de Loyalty.

Em suma, o retalho português está a passar de uma lógica centrada na visibilidade para uma lógica centrada na repetição de escolhas, onde a fidelização é a chave para sustentabilidade e competitividade.

Relacionado

A Black Friday começa muito antes dos descontos

A Black Friday começa muito antes dos descontos

JE Lab e E-goi2 Set
Para as marcas, a Black Friday já não começa quando chegam os descontos. Começa semanas antes, na análise dos clientes, na definição das campanhas e na capacidade de antecipar aquilo que cada consumidor procura. Com a Inteligência Artificial e a automação a ganhar espaço no marketing, a preparação para o maior pico de consumo do ano está a mudar de ritmo
EY EnergyShot com Filipe Santos

EY EnergyShot com Filipe Santos

JE Lab28 Ago
Neste episódio, recebemos Filipe Santos, CEO do Smart Energy LAB, uma organização que se dedica ao desenvolvimento de soluções inovadoras para acelerar a transição energética. Numa conversa conduzida por José Roque, Partner EY, Energy & Resources Sector Leader, foram explorados os desafios da mobilidade elétrica e o papel da inovação no futuro da energia. Em destaque esteve o EDGE, uma solução tecnológica focada na gestão inteligente de carregamento de veículos elétricos em edifícios com estacionamento partilhado.
Internacionalização do agronegócio no espaço lusófono

Internacionalização do agronegócio no espaço lusófono

JE Lab26 Ago
Portugal, Brasil e Angola estão a criar novas oportunidades para o agronegócio. Neste episódio do AgroConnect, Sofia Nunes, Aymeric Frisch e Adilson Mognol partilham experiências concretas de internacionalização, os desafios de adaptação aos mercados locais e o papel da tecnologia, da proximidade cultural e da língua portuguesa na construção de novos negócios