Alemanha quer comprar gás produzido em Angola

Angola prevê aumentar a sua produção de gás em 20% até 2030, prevendo exportar mais para a Europa e a Ásia. Investimentos no setor do petróleo e gás deverão atingir 60 mil milhões de dólares até ao final da década. Berlim sabe a importância de diversificar fornecedores após fecho da torneira russa e agora com a guerra no Irão.

Alemanha quer comprar gás produzido em Angola
EPA via Lusa

A Alemanha quer gás natural produzido em Angola. O país lusófono é um dos possíveis novos fornecedores de Berlim a par do Canadá ou México.

O objetivo é garantir novos fornecedores depois do fecho da torneira russa de gás após a invasão da Ucrânia e após o fecho do estreito de Ormuz com a guerra no Médio Oriente.

“A lição mais importante da Ucrânia e agora do Irão. O hemisfério ocidental não pode depender de gargalos”, disse a ministra da Economia alemã à “Bloomberg” referindo-se ao fecho do estreito de Ormuz, por onde passava 20% do petróleo e gás mundial.

“Vamos ver preços de energia mais elevados” durante algum tempo, afirmou Katherina Reiche, apontando que mesmo que as infraestruturas energéticas sejam recuperadas no Golfo Pérsico, vai continuar a “haver um prémio de risco”.

Apesar de os EUA serem um grande fornecedor de gás líquido à Alemanha, via contratos com diversas elétricas, o país quer “diversificar o seu portfólio”, defendeu, apontando para contratos com novos fornecedores como Angola, Canadá ou México.

Angola espera aumentar a sua produção em 20% até ao final da década, prevendo aumentar as suas exportações para a Europa e Ásia, segundo dados da Agência Nacional de Petróleo, Gás, e Biocombustíveis (ANPG), citados pela “Reuters”.

Até 2030, são esperados 60 mil milhões de dólares de investimentos em petróleo e gás, com 23 poços de exploração a serem perfurados, 11 deles em áreas marítimas.

Este mês arrancou a produção de gás no campo de Quiluma, operado pela Azule Energy (BP/Eni) e com participações da Cabinda Gulf Oil Company, Sonangol e TotalEnergies.

A Alemanha foi um dos países da UE mais afetados com a invasão russa da Ucrânia. O gás russo mais barato, que chegava via pipeline, era crucial para manter as exportações do país competitivas.

Com o fecho da torneira, o país procurou diversificar fornecedores, optando por comprar mais gás líquido.

Mais de 90% do gás líquido que chega ao país vem dos EUA, com esta energia a pesar 13% nas importações totais.

O chanceler Friedrich Merz visitou o Golfo Pérsico em fevereiro para fechar novos contratos de gás, mas a guerra afetou a maioria da produção.

O Governo alemã esperava um crescimento económico de 1% no início deste ano, mas se a guerra durar muito, os preços da energia e a inflação vão subir, o que vai “afetar a economia”.

Empresas como a RWE, e as nacionalizadas Uniper e SEFE têm contratos de longo prazo com os EUA.

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