O Partido Trabalhista do primeiro-ministro Keir Starmer sofreu uma derrota eleitoral constrangedora para o Partido Verde, na área de Manchester – um reduto trabalhista que se mantinha há quase um século – e que, por outro lado, confirma a crise do sistema bipartidário britânico. A perda de um dos lugares mais seguros do Partido Trabalhista aumenta ainda mais a pressão sobre Starmer enquanto primeiro-ministro – afundado em resultados económicos que se mantêm muito fracos e nas consequências do ‘caso Epstein’, que se têm revelado catastróficas para o Reino Unido.
Hannah Spencer, do Partido Verde, venceu a votação pela vaga no parlamento nlo distrito eleitoral de Gorton e Denton, com o partido populista Reform UK, de Nigel Farage, em segundo lugar, e o Partido Trabalhista em terceiro. O resultado foi “claramente decepcionante”, disse a presidente do Partido Trabalhista, Anna Turley.
Starmer apostou sua autoridade pessoal – o que não é comum no Reino Unido – na vitória do Partido Trabalhista, bloqueando a candidatura de um de seus rivais internos, o popular prefeito de Manchester Andy Burnham. A derrota surge numa altura em que Starmer é acossado no interior do seu próprio partido: vários parlamentares trabalhistas disseram que o primeiro-ministro deveria renunciar devido à sua decisão de nomear o veterano trabalhista Peter Mandelson como embaixador em Washington, apesar das suas ligações a Jeffrey Epstein.
O Partido Trabalhista conquistou pouco mais da metade dos votos em Gorton e Denton nas últimas eleições gerais, em 2024. No entanto, a impopularidade de Starmer, o crescimento económico lento e uma série de escândalos e mudanças bruscas de política contribuíram para uma queda acentuada no apoio ao partido.
O Partido Verde conquistou 40,7% dos votos, numa eleição convocada após a renúncia de um membro do parlamento por motivos de saúde. O Partido Reformista de Nigel Farage ficou em segundo lugar, com 28,7% dos votos, e o Partido Trabalhista em terceiro, com 25,4%. Os Verdes – que exigem a saída da NATO – têm agora cinco cadeiras no Casa dos Comuns.