BlackRock antevê manutenção prolongada das taxas de juros do BCE

A manutenção prolongada das taxas, com o BCE a deixá-las inalteradas, é o nosso cenário base. Mantemos uma posição neutra em relação às ações e obrigações governamentais europeias, preferindo o crédito europeu ao americano", segundo o Chief Investment Strategist para os Países Baixos e os Países Nórdicos no BlackRock Investment Institute.

BlackRock antevê manutenção prolongada das taxas de juros do BCE
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“Acreditamos que o BCE está a caminhar na corda bamba, e a decisão de hoje de manter as taxas estáveis ​​foi a correta”, defende Roelof Salomons, Chief Investment Strategist para os Países Baixos e os Países Nórdicos no BlackRock Investment Institute.

“Uma perspectiva de crescimento melhorada obscurece o que significa uma taxa de juro neutra, que não estimula nem restringe o crescimento. A manutenção prolongada das taxas, com o BCE a deixá-las inalteradas, é o nosso cenário base. Mantemos uma posição neutra em relação às ações e obrigações governamentais europeias, preferindo o crédito europeu ao americano”, segundo o Chief Investment Strategist que adianta ainda que “vemos oportunidades setoriais nos setores financeiro, de infraestruturas e farmacêutico — sustentadas por avaliações atrativas, pela tendência de crescimento na Europa e pela adoção da inteligência artificial”.

O Banco Central Europeu (BCE) manteve hoje as taxasue de juro inalteradas e, segundo a BlackRock, “com boas razões”. Pois o crescimento está a melhorar e a inflação aproxima-se da meta de 2% do BCE.

“Os riscos para a inflação mantêm-se em equilíbrio delicado. A equipa do BCE prevê agora que a zona euro cresça mais rapidamente até 2028, dado que a procura interna, especialmente o investimento, se revela resiliente”, sublinha Roelof Salomons.

“A presidente do BCE, Christine Lagarde, destacou tanto os potenciais impulsos ao crescimento provenientes do aumento da despesa pública como os entraves decorrentes do ressurgimento das tensões geopolíticas. A inflação subjacente deverá manter-se próxima do objetivo, com a inflação geral ligeiramente abaixo dos 2% em 2026 e 2027”, acrescenta.

Sem surpresas, a taxa de referência do BCE mantém-se em 2%, nível em que está desde junho. A decisão, anunciada esta quinta-feira após o conselho de governadores do BCE, já era esperada pelo mercado e segue-se a um ciclo de descidas, num total de 200 pontos-base entre junho de 2024 e junho de 2025.

“As taxas de juro aplicáveis à facilidade permanente de depósito, às operações principais de refinanciamento e à facilidade permanente de cedência de liquidez permanecerão inalteradas em, respetivamente, 2,00%, 2,15% e 2,40%”, anunciou a autoridade monetária em comunicado.

Christine Lagarde sublinhou novamente que a incerteza é elevada e defendeu que o BCE não se pode comprometer com qualquer trajetória futura das taxas, mas deve continuar a tomar decisões “reunião a reunião”, “de acordo com a evolução dos dados” e “com todas as opções sobre a mesa”.

No geral, o BCE apresentou uma visão mais positiva da economia na atualização trimestral da sua tabela de previsão: melhora o crescimento esperado do PIB e aproxima a inflação dos 2%.

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