Anglo-americanos investem 500 milhões em centros de dados em Portugal

O primeiro de três centros de dados previstos para Oeiras foi hoje inaugurado. AtlasEdge ambiciona ter cinco centros de dados no país. Porquê investir em Portugal? "Quem é que não está a vir para aqui agora?", responde o presidente-executivo da companhia, elogiando os incentivos fiscais.

Anglo-americanos investem 500 milhões em centros de dados em Portugal
Tesh Durvasula – CEO AtlasEdge
Os anglo-americanos da AtlasEdge inauguraram hoje o primeiro de três centros de dados em Portugal. A inauguração é um dos primeiros passos do ambicioso investimento de 500 milhões de euros no concelho de Oeiras.
O centro de dados Lis001 fica localizado em Carnaxide, no terreno da antiga sede do canal televisivo SIC. Os dois outros centros de dados – Lis002 e Lis003 – ficarão em terrenos junto ao centro original.
Serão 30 MW de capacidade quando o projeto estiver concluído. Os primeiros clientes já estão instalados. A companhia sediada em Londres, mas com acionistas americanos – Liberty Global e Digital Bridge – destaca a localização estratégica com o campus a situar-se a menos de 10 km da estação de amarração de cabos submarinos de Carcavelos, “o campus vai oferecer conectividade de baixa latência à Europa, África, Médio Oriente e Américas, o que consolida a posição de Lisboa como um portal digital de referência”.
A energia renovável disponível na rede elétrica para alimentar o centro de dados, é outra das mais-valias da companhia, que conta com geradores a gasóleo para assegurar o funcionamento do centro durante 24 horas em caso de apagão.
Dos 253 milhões de euros, 63 milhões serão para financiar a construção do primeiro centro, com 190 milhões para a construção do segundo. A companhia aponta que o financiamento é “verde” estando previsto a eficiência energética (usando um circuito interno de água para arrefecimento), assim como o uso de eletricidade renovável.

O segundo centro de dados tem entrada prevista em funcionamento em 2028.

A companhia admite avançar para a construção de outros dois centros de dados, que seriam o quarto e o quinto projeto em Portugal, e têm preferência pelo concelho de Oeiras.

Questionado pela escolha de Portugal, o presidente da AtlasEdge responde: “A pergunta é: quem é que não está a vir para aqui agora? Temos todos os grandes ‘hyperscalers na Península Ibérica. Em segundo, há aqui grandes empresas. Em terceiro, há integradores de sistema como o IBM, HPE ou Kyndryl. Estes são os nossos clientes. Por último, temos os negócios de telecomunicações. Também há o setor público como o Governo, mas existem bastantes requerimentos para ser um fornecedor, mas os integradores de sistema cumprem todas as regras e nós vendemos a eles infraestrutura”.

Tesh Durvasula explica que as quatro cidades principais para centros de dados na Europa são Londres, Amsterdão, Paris e Frankfurt, cobrindo 60% da população europeia. Depois, vêm várias cidades incluindo Lisboa que são cruciais para dar resposta à restante população. “Lisboa faz parte de uma estratégia para cobrir 95% da população na Europa. É preciso 16 a 20 cidades para isso e para conseguir que as aplicações respondam em 25 milisegundos”, afirmou em declarações aos jornalistas à margem da inauguração que teve hoje lugar.

“Temos os cabos submarinos aqui pertos, há mais de 100 redes ligadas, temos companhias de telecomunicações, companhias de internet que trazem mais 45 a 60 redes. Lisboa é muito atrativa, é há o incentivo fiscal”, acrescentou.

Sobre se a infraestrutura tem capacidade para albergar chips de topo, como os Blackwell fabricados pela Nvidia, o executivo disse que essa decisão cabe aos clientes, mas o “centro consegue manejar essa capacidade e aguentar esse tipo de densidade. Se quiserem fazer aqui a aplicação, sim conseguimos. See for uma cloud ou uma aplicação a usar os Blackwell, vão começar com algo mais pequeno do que 25 MW e podem traze-los para aqui, o centro consegue aguentar e depois temos capacidade para o crescimento”.

Questionado sobre postos de trabalho criados, o gestor respondeu: “por si só, o centro de dados não vai criar milhares de empregos, vai criar na casa das dezenas, mas o ecosistema, sim, vai criar. Vamos ter entre 12 a 15 trabalhadores, profissionais de vendas, administrativos e de finanças, mas vamos criar postos de trabalho para os engenheiros de redes, de software, de hardwarer que trabalham com os nossos clientes. À medida que os nossos clientes crescem, estão a criar oportunidades. Um ecosistema de centros de dados cria centenas e milhares de postos de trabalho. O centro de dados é apenas a primeira parte, mas se o ‘regares’, vai crescer”.

A AtlasEdge está atualmente a operar em 11 países, com centros de dados em Amesterdão, Barcelona, Berlim, Bruxelas, Copenhaga, Dusseldorf, Hamburgo, Londres, Leeds, Leverkusen, Madrid, Manchester, Milão, Paris, Estugarda, Viena e Zurique.

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