A detenção de Mariana Mortágua por Israel na flotilha que se dirigia com ajuda humanitária para Gaza despoletou nos últimos dias opiniões políticas, mas também nas redes sociais de uma forma agressiva. O sentimento é partilhado pelos oradores da conferência ‘Puxar pela Cabeça’, que tem como tema central da edição de 2025 a cultura no seu sentido mais lato, realizada esta terça-feira, na AESE Business School, em Lisboa. “Há um aproveitamento político de toda esta situação, através de um gesto nobre que era ajudar uma população vitimada”, afirmou Maria da Glória Ribeiro, managing director & co-founder da AMROP Portugal.
A responsável considerou que a detenção da deputada do Bloco de Esquerda, é um exemplo de temas fraturantes que “os partidos muitas vezes aproveitam e provocam para ganhar relevância”.
Este episódio ganhou especial relevância pelos comentários nas redes sociais, mas também pela petição pública criada para que Mariana Mortágua fosse deportada.
“As redes sociais são perfeitamente democráticas, mas temos de as usar de forma higiénica e democrática. Não partilho de todo com quem assina petições públicas para deportar cidadãos portugueses para Gaza”, referiu Adriana Cardoso, market acess officer do Infarmed.
Por sua vez, Lúcia Azevedo, CEO da Lux-Frágil, defendeu que as redes sociais fizeram a população perder a noção de que “há sempre uma boa oportunidade para podermos estar calados”.
Para Fátima Vieira, vice-reitor da Universidade do Porto, muitas vezes o conflito que existe no ser humano tem a ver com falta de confiança que o ser humano tem em si próprio. “Há sempre uma receita apontada pelas utopias que é a educação”, sublinhou.
Já Pedro Sampaio Nunes, gerente e consultor na Charlemagne, consultoria em questões europeias realço que hoje qualquer pessoa através das redes sociais pode expor as suas ideias e isso leva a um conflito com outras. “Nos últimos 20 anos houve uma mudança na forma como nos relacionamos e adquirimos conhecimentos.
O consultor alertou ainda para o elefante na sala chamado Inteligência Artificial (IA) que vai permitir a cada pessoa reproduzir notícias falsas. “Isso é perigosíssimo, mas temos de nos habituar a esta nova realidade”, referiu.