O chefe do Estado-Maior das Forças de Defesa de Israel (IDF), o tenente-general Eyal Zamir, disse que há um “acordo sobre a mesa” para os reféns que restam em Gaza e que este alto responsável pela segurança de Israel teria dito que os militares criaram as condições para um acordo, que agora está nas mãos do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.
Esta terça-feira, o Gabinete de Segurança de Israel deve discutir a última proposta apresentada por mediadores regionais, o Qatar e o Egipto, que o Hamas aceitou há uma semana, mas que o governo de Israel têm entretanto mantido na gaveta, como se não existisse.
Do lado das ruas, o barulho é cada vez mais ensurdecedor: seguem-se manifestações em massa em Israel desde início deste mês, onde centenas de milhares de pessoas se reúnem pedindo o fim da guerra em Gaza e um acordo para garantir a libertação dos reféns mantidos pelo Hamas.
O Fórum de Reféns e Famílias Desaparecidas disse que Zamir expressou “o que a maioria dos israelitas exige”, incluindo um acordo para trazer para casa todos os 50 reféns restantes, 20 dos quais acredita-se estarem vivos, e o fim da guerra. O grupo está a planear outro dia de protesto em massa exatamente para esta terça-feira.
A proposta mais recente, de mediadores do Egipto e do Qatar, é baseada na proposta apresentada pelo enviado dos EUA, Steve Witkoff, em junho – o que faz com que o seu postulado esteja em linha com aquilo que Washington está disponível para acompanhar. A proposta implica que o Hamas libertasse cerca de metade dos reféns em duas rondas durante uma trégua inicial de 60 dias. Também haveria negociações sobre um cessar-fogo permanente. Netanyahu disse que Israel só aceitaria um acordo se “todos os reféns fossem libertados de uma só vez”.
No sábado, aviões e tanques atacaram partes da Cidade de Gaza enquanto Israel continua o seu plano de tomar a maior área urbana do território. Benjamin Netanyahu prometeu derrotar o Hamas e desafiou as críticas sobre os seus planos de expandir a guerra. A comunidade internacional – e pelos vistos o próprio Zamir – têm muitas reservas em relação ao plano, que se junta a um outro que prevê o aumento da presença israelita na Cisjordânia.
Zamir teria argumentado contra a ocupação em grande escala da cidade de Gaza, citando temores de colocar em risco a vida de reféns e atolar um exército exausto em Gaza. A ofensiva deslocaria à força um milhão de pessoas da Cidade de Gaza para campos no sul, mas Israel não forneceu um cronograma exato do quando as suas tropas entrariam na Cidade de Gaza. Netanyahu quer toda a cidade sob ocupação israelita a partir de 7 de outubro.