Organizações de 44 países preparam frota de auxílio a Gaza

As experiências anteriores de auxílio por via marítima acabaram sempre mal, mas a fome e a impossibilidade de fazer chegar mantimentos básicos à Palestina impõe mais uma tentativa.

Organizações de 44 países preparam frota de auxílio a Gaza
gaza-rubble

Pouco depois de ficar claro que não há para Gaza, sob o governo liderado por Benjamin Netanyahu em condomínio com a extrema-direita, outra opção que não seja a erradicação dos palestinianos, ativistas de 44 países estão a programar a organização de uma frota de navios para fazer chegar auxílio ao enclave. A frota deverá fazer-se ao mar no final de agosto, no que os organizadores descrevem como o maior esforço até agora feito para desafiar o bloqueio de Israel, que levou a população do enclave à fome.

Falando em conferência de imprensa em Tunes, organizada pela Coordenação de Ação Conjunta para a Palestina, membros da Flotilha Global Sumud disseram que os participantes pretendem quebrar o bloqueio, estabelecer um corredor humanitário e chamar a atenção para o que chamam de genocídio em andamento contra os palestinos. “Neste verão, dezenas de barcos, grandes e pequenos, zarparão de portos do mundo todo, convergindo para Gaza na maior flotilha civil desse tipo na história”, disse uma das organizadoras, Haifa Mansouri. A iniciativa une quatro movimentos: a Flotilha Maghreb Sumud, o Movimento Global para Gaza, a Coligação da Flotilha da Liberdade e o Sumud Nusantara.

O primeiro comboio partirá dos portos espanhóis em 31 de agosto, seguido por um segundo dos portos tunisinos a 4 de setembro. Mais de seis mil ativistas registaram-se para participar – com a organização a preparar vários momentos de denúncia ao longo da viagem, disse Seif Abu Keshk, outro dos organizadores.

A última vez que foi deita uma tentativa de aproximar auxílio por via marítima foi no passado dia 26 de julho: o navio humanitário Handala acabou intercetado pelas forças israelitas, escoltando-o até ao porto de Ashdod. A embarcação foi intercetada a cerca de 70 milhas náuticas do enclave, ultrapassando a distância percorrida pelo Madleen, que chegou a apenas 177 km do destino antes de ser detido, de acordo com o Comité Internacional para Romper o Cerco a Gaza.

Por seu turno, o Crescente Vermelho Turco (Kızılay) anunciou que 165 camiões com ajuda alimentar começaram a entrar em Gaza pela passagem de fronteira de Rafah para apoiar os palestinianos que lutam contra a fome. Segundo comunicado da organização, apesar de todas as dificuldades em Gaza, a organização está a trabalhar para aliviar o sofrimento no enclave.

A ajuda, composta por aproximadamente três mil toneladas de alimentos, é suficiente para atender as necessidades alimentares de 50 mil pessoas durante um mês. Em cooperação com o Crescente Vermelho Egípcio, as equipes do Kızılay continuam os esforços para garantir que a ajuda chegue à população de Gaza o mais rapidamente possível, refere o comunicado. Desde os primeiros dias do conflito que o Kızılay opera um refeitório comunitário em Gaza. A organização tám coopera estreitamente com o Crescente Vermelho Jordano.

Fatma Meriç Yılmaz, presidente do Kızılay, condenou o ataque das forças israelitas à sede do Crescente Vermelho Palestiniano em Khan Yunis, no sul de Gaza, levado a cabo na passada segunda-feira. “É profundamente angustiante que trabalhadores palestinianos do Crescente Vermelho, que arriscam as suas vidas para entregarem ajuda em Gaza, sejam considerados alvos. Infelizmente, um trabalhador humanitário morreu e outros dois ficaram gravemente feridos.” O número de trabalhadores humanitários mortos em Gaza chegou aos 480.

Segundo avança o site da Al Jazeera, os ataques israelitas cada vez mais intensos na Faixa de Gaza mataram pelo menos 74 palestinianos, incluindo 51 pessoas que tentavam encontrar de ajuda, durante esta terça-feira. Mais oito palestinianos, incluindo uma criança, morreram devido à fome nas últimas 24 horas.

Entretanto, vão-se multiplicando as ações contra a guerra que Israel estabeleceu em Gaza. Mesmo vindas de lugares improváveis. O clube alemão Fortuna de Dusseldorf decidiu não contratar o jogador israelita Shon Weissman após protestos dos adeptos pelas suas publicações nas redes sociais a incitar à violência contra os palestinianos em Gaza. Num breve comunicado publicado nas redes sociais, a equipa alemã afirmou que optou por não avançar com a transferência. O anúncio foi feito depois de os adeptos do Fortuna terem lançado uma petição online a pedir à direção do clube que cancelasse a transferência. “Os comentários de Weissman, que foram lidos como discriminatórios e desrespeitosos, contrastam fortemente com os princípios que o Fortuna Dusseldorf defende e se esforça por promover”, pode ler-se na petição. “Contratá-lo pode prejudicar a credibilidade do clube e dos seus adeptos, que prezam a diversidade e a comunidade.”

Segundo a imprensa alemã, em outubro de 2023, Weissman terá partilhado publicações que defendiam a eliminação de Gaza do mapa. Numa publicação, perguntou: “Qual é a razão lógica para que ainda não tenham sido lançadas bombas de 200 toneladas sobre Gaza?” Noutra, respondendo a uma foto de dois palestinianos detidos, terá escrito: “Porque raio não estão a levar tiros na cabeça?”

Relacionado