“Sector segurador pesa menos de 1% do PIB angolano”, diz CEO da Fortaleza Seguros

Carlos Firme, CEO da Fortaleza Seguros, considera que para o sector segurador ser uma alavanca do desenvolvimento económico tem de ter um maior peso no produto interno bruto de Angola.

“Sector segurador pesa menos de 1% do PIB angolano”, diz CEO da Fortaleza Seguros
Victor Machado

Para que o sector segurador contribua para o desenvolvimento em Angola precisa de ter um maior peso na economia, numa altura em que representa menos de 1% do Produto Interno Bruto (PIB) angolano, afirmou Carlos Firme, CEO da Fortaleza Seguros.

“O sector segurador em Angola pesa menor de 1% do PIB angolano. É uma sub representação do sector segurador no PIB”, afirmou o presidente executivo da Fortaleza Seguros no evento “Doing Business Angola 2024”, organizado pelo Jornal Económico e pela Forbes África Lusófona, esta terça-feira em Lisboa, num painel que contou também com João Rueff Tavares, diretor da EY Angola. 

“Se o sector segurador é uma alavanca do desenvolvimento económico tem de ter um peso relevante no PIB”, disse Carlos Firme, sublinhando que, nos países desenvolvidos, esta percentagem ronda os 20% a 25%. 

Para que isto aconteça, defendeu, é necessário que haja “capacidade de fiscalização”, para que os “seguros obrigatórios sejam mesmo obrigatórios” e que se faça um esforço “para informar as pessoas sobre a importância dos seguros”.

“É um esforço nosso enquanto atores do sector e um esforço das associações, do regulador e das entidades públicas”, afirmou o CEO da Fortaleza Seguros, frisando que “o desenvolvimento económico não é possível sem um sector segurador forte que tenha peso” na economia.

Carlos Firme disse ainda ser necessário apostar nos fundos de pensões em Angola. “As seguradoras são participantes ativos na criação de fundos de pensões” que “têm um futuro em Angola muito importante”.

Num país com população muito jovem, “há muita gente potencialmente a contribuir e pouca a receber”. Por outro lado, “o Estado tem objetivos e recursos limitados. As pessoas têm de perceber que a capacidade do Estado para garantir as condições de reforma é limitada”. Também “as empresas têm de ver os fundos como um instrumento importante para reter talento”.

“A conjugação destes três fatores leva a que os fundos de pensões tenham capacidade para crescer em Angola”, podendo “ter um papel importante na diversificação da economia angolana”, rematou o presidente executivo da Fortaleza Seguros.

Relacionado

João Traça: “Financiamento tem que ir para diferentes tipos de investimento em Angola”

João Traça: “Financiamento tem que ir para diferentes tipos de investimento em Angola”

André Cabrita-Mendes18 Jun
"É preciso perguntar se Portugal deve criar mecanismos para permitir investimento com outras características. Os financiamentos estão direcionados para o sector das obras públicas. Não devemos direcionar para a agricultura, a indústria?", disse esta terça-feira o líder da Câmara de Comércio e Indústria luso-angolana no evento "Doing Business Angola".
João Afonso Fialho: “Portugal tem de pôr dinheiro em programas de investimento em Angola”

João Afonso Fialho: “Portugal tem de pôr dinheiro em programas de investimento em Angola”

André Cabrita-Mendes18 Jun
"Temos este discurso, e bem, de ver o mundo lusófono e Angola como parceiros estratégicos importantíssimos, mas temos de pôr dinheiro atrás destes programas, está na altura de sermos pragmático", defendeu o advogado e partner da VdA, no evento "Doing Business Angola", que se realiza esta terça-feira e é organizado pelo JE e Forbes África Lusófona.