Presidente caboverdiano pede serenidade no debate sobre eventuais reparações às antigas colónias

“Eu acho que é um debate que deve fazer-se com serenidade, respeitando as opiniões de uns e de outros, as universidades, as fundações, os partidos políticos, a sociedade civil”, afirmou o chefe de Estado cabo-verdiano, na cidade da Praia.

Presidente caboverdiano pede serenidade no debate sobre eventuais reparações às antigas colónias
Marisa Cardoso

O Presidente cabo-verdiano, José Maria Neves, pediu hoje serenidade no debate sobre eventuais reparações às antigas colónias, na sequência das declarações do seu homólogo português.

“Eu acho que é um debate que deve fazer-se com serenidade, respeitando as opiniões de uns e de outros, as universidades, as fundações, os partidos políticos, a sociedade civil”, afirmou o chefe de Estado cabo-verdiano, na cidade da Praia.

O Presidente respondia aos jornalistas, à margem da condecoração com a Ordem Amílcar Cabral, Segundo Grau, a Felisberto Vieira Lopes (a título póstumo), um advogado que defendeu os antigos presos políticos do campo de concentração do Tarrafal de Santiago.

Na quarta-feira, Marcelo Rebelo de Sousa vai participar nas comemorações dos 50 anos da libertação dos presos do Campo de Concentração do Tarrafal, símbolo da violência da ditadura colonial portuguesa.

Na semana passada, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, reconheceu a responsabilidade de Portugal por crimes cometidos durante a era colonial, sugerindo o pagamento de reparações pelos erros do passado.

“Temos de pagar os custos. Há ações que não foram punidas e os responsáveis não foram presos? Há bens que foram saqueados e não foram devolvidos? Vamos ver como podemos reparar isto”, afirmou Marcelo num jantar com correspondentes estrangeiros em Portugal, citado pela agência Reuters.

José Maria Neves disse que não comenta em si as declarações do seu homólogo português, mas insistiu na necessidade de um debate para se “chegar a entendimento e consensos sobre essas matérias”.

O Chega pediu o agendamento de um debate de urgência no parlamento para que o Governo esclareça se está a ser equacionada a atribuição de eventuais “indemnizações às antigas colónias”.

O partido político liderado por André Ventura acusou o chefe de Estado de trair os portugueses e pediu a Marcelo Rebelo de Sousa que se retrate por estas declarações.

Relacionado

Partido no poder em Cabo Verde acusa oposição de instrumentalizar relatório financeiro

Partido no poder em Cabo Verde acusa oposição de instrumentalizar relatório financeiro

"O verdadeiro problema tem sido o abuso sistemático da reprogramação orçamental para alterar profundamente o orçamento aprovado pela Assembleia Nacional, diminuindo o escrutínio parlamentar. Durante anos, o Governo do MpD [Movimento para a Democracia] transformou um instrumento excecional numa forma de governar", afirmou o vice-presidente da bancada parlamentar do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV), João Brito.
Conselho de Finanças Públicas de Cabo Verde recomenda previsibilidade no Orçamento

Conselho de Finanças Públicas de Cabo Verde recomenda previsibilidade no Orçamento

"O orçamento reprogramado assume, assim, particular relevância para o acompanhamento da execução orçamental, visto que incorpora as alterações, entretanto efetuadas e proporciona uma referência mais atualizada para avaliar a utilização dos recursos e a evolução da despesa", refere-se no relatório do CFP sobre a reprogramação do Orçamento do Estado para 2026.