Portugal tem feito um esforço para se destacar no mercado tecnológico e os resultados estão à vista.
Por um lado, temos conseguido atrair cada vez mais empresas internacionais para investir em centros de tecnologias. Players mundiais têm vindo fazer investimentos a longo prazo no nosso mercado, como o BNP Paribas (criando 1.800 postos de trabalho), a Google (algures entre os 500 e os 1.000 postos), a Natixis (600), ou a Volkswagen (300).
Por outro, as próprias empresas portuguesas de TI estão a penetrar mercados internacionais. Um exemplo disto é a NovaBase, empresa tecnológica com mais de 2.000 profissionais que neste momento já exporta 54% do seu trabalho (mais de 37% exclusivamente para o mercado europeu).
Ao mesmo tempo, no ecossistema empreendedor (onde tudo tende a ter uma escala mais pequena), temos assistido a startups portuguesas a crescer e a contratar e a startups estrangeiras a sediar-se na chamada “São Francisco da Europa”.
Em comparação com outros mercados, conseguimos estes bons resultados sem grandes recursos humanos. Feitas as contas, há 15 países europeus com mais profissionais de TI do que Portugal e 17 cidades na Europa com mais developers do que Lisboa.
Mesmo assim temo-nos destacado, mas se queremos que as nossas empresas continuem a competir lá fora, e se queremos continuar a atrair empresas estrangeiras cá para dentro, precisamos de expandir o número de profissionais com que podemos contar. Atualmente, só existem 121 mil profissionais de TI no país e temos de apostar em aumentar este número.
O que podemos fazer? Os jovens têm potencial de crescimento profissional e são uma solução sustentável a longo prazo. No entanto, não é possível treinar uma geração do dia para a noite até porque cada jovem demora alguns anos a fazer o seu caminho até ao mercado de trabalho.
O grosso do talento tem de vir de profissionais reconvertidos. Neste campo, a Academia de Código tem feito um trabalho louvável com os seus cursos virados para desempregados, e já conta até com quatro centros de formação, em Lisboa, Gaia, Fundão e na Ilha Terceira. Para além dos 790 mil desempregados, podemos incentivar aqueles que estão empregados e insatisfeitos, como é o caso daqueles que trabalham em setores em declínio.
Por último, cabe-nos continuar a atrair talento internacional para preencher empregos mais seniores. Se conseguirmos aumentar o número de profissionais que entram para o mercado de trabalho, também teremos de ir injetando talento mais experiente para conseguir gerir equipas e projetos. Para isso precisamos de manter as medidas que este Governo tem vindo a introduzir, como o Startup Visa, e defender outras formas de abrir portas.
Treinar mais jovens, reconverter profissionais e atrair talento internacional não são alternativas, são três passos que temos de dar se queremos continuar a ser um país mais competitivo, mais próspero e mais digital. Não basta a Portugal estar de olhos postos no Futuro, vamos precisar de mãos para o construir.