BEI desbloqueou 3.000 milhões para sul do Mediterrâneo

O Banco Europeu de Investimento (BEI) desbloqueou cerca de 3.000 milhões de euros desde o início da guerra na Ucrânia, em fevereiro de 2022, para "investimentos prioritários" na região do sul do Mediterrâneo, disse hoje a instituição.

BEI desbloqueou 3.000 milhões para sul do Mediterrâneo
Seguem-se os secretários de Estado com 60% do salário de referência, cerca de 3.900 euros

O Banco Europeu de Investimento (BEI) desbloqueou cerca de 3.000 milhões de euros desde o início da guerra na Ucrânia, em fevereiro de 2022, para “investimentos prioritários” na região do sul do Mediterrâneo, disse hoje a instituição.

Os projetos apoiados ou financiados pelo BEI têm como objetivo “diminuir o ‘gap'” entre regiões do Mediterrâneo (Europa, norte de África e Médio Oriente) e promover o desenvolvimento económico e social sustentável, “em tempos desafiantes e de incerteza”, afirmou o vice-presidente do banco, Ricardo Mourinho Félix, numa conferência de imprensa em Barcelona.

Os transportes, as energias renováveis, a educação, a saúde, a segurança alimentar ou “a ação climática” acelerada, em resposta ao impacto das mudanças no clima, têm sido o destino prioritário das verbas desbloqueadas pelo BEI desde o início da guerra na Ucrânia, de acordo com Mourinho Félix.

Egito e Marrocos são os dois países com mais financiamentos do BEI, através de projetos públicos ou privados, desde março de 2022 (1.000 milhões e 500 milhões de euros, respetivamente), segundo dados do banco.

O BEI assinou hoje em Barcelona, no final de uma conferência de dois dias que organizou com a União para o Mediterrâneo (UpM), acordos para contribuir com 40 milhões de euros para a construção de 80 escolas na Tunísia, um projeto que tem um orçamento global de 80 milhões de euros e que a União Europeia (UE) também prevê apoiar diretamente com 25 milhões de euros.

No final da conferência em Barcelona foi ainda assinado um acordo para o BEI financiar com 12 milhões de euros o designado “setor microfinanceiro” da Tunísia.

Antes da assinatura dos acordos, no encerramento da conferência na cidadã catalã, o secretário-geral da UpM, Nasser Kamel, sublinhou “a crescente interdependência” e “a urgência dos problemas que enfrentam o Mediterrâneo e a Europa”, que “mais do que nunca exigem um esforço de colaboração e soluções inovadoras”.

Nasser Kamel destacou “as profundas implicações das alterações climáticas” no Mediterrâneo e “as marcadas disparidades” a nível económico na região e considerou fundamental “fomentar a proximidade e a complementaridade” da UE “não só com os vizinhos do leste, mas também com os do sul e mais além, com a África subsariana”.

O secretário-geral da UpM defendeu que este é um caminho para a UE se assumir como potência de influência internacional mais além das suas fronteiras e responder a problemas relacionados com a segurança ou a imigração, ao mesmo tempo que promove o desenvolvimento e cria emprego e prosperidade noutras regiões.

Nasser Kamel congratulou-se com o papel e o compromisso do BEI com a região do Mediterrâneo.

A UpM é uma organização intergovernamental que junta os países da UE e mais 16 países mediterrânicos europeus, do norte de África e do Médio Oriente.

Relacionado

Migrações: Sánchez diz que Espanha e UE foram atacadas em Ceuta e iliba Marrocos

Migrações: Sánchez diz que Espanha e UE foram atacadas em Ceuta e iliba Marrocos

Segundo Sánchez, continuam a ser investigadas a origem e as causas exatas do que ocorreu em 30 de julho no enclave espanhol de Ceuta, localizado no norte de África, mas não há "nenhuma informação", por parte das forças de segurança nacionais e serviços de inteligência de Espanha ou outros, que responsabilize ou aponte para "a participação de uma forma ou outra" de Marrocos.
Economia de Marrocos tem cada vez mais impacto na Europa

Economia de Marrocos tem cada vez mais impacto na Europa

País africano encontrou o lugar certo: passou a ser uma plataforma logística e industrial às portas da Europa, com salários mais baixos e custos de contexto controlados. A ligação política aos EUA e a Israel fez o resto. Com os estreitos na moda, vale a pena não esquecer que Marrocos tem preponderância sobre o Estreito de Gibraltar, cada vez mais usado pelas rotas internacionais. Portugal é um parceiro crescentemente ativo.