Israel prepara-se para um conflito prolongado, diz o governo

Novos ataques ontem e hoje na Faixa de Gaza elevam a tensão, num quadro em que a resposta palestiniana é considerada inevitável. Para além de tudo, há sinais de que a coligação liderada por Benjamin Netanyahu está a 'deslaçar'.

Israel prepara-se para um conflito prolongado, diz o governo
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O ataque realizado pelas forças de Israel na Faixa de Gaza – e de que resultou a morte de 13 pessoas: três líderes da Jihad Islâmica, as suas mulheres e os seus filhos – motivou uma reunião de emergência do governo liderado por Benjamin Netanyahu. Dessa reunião saiu, segundo a imprensa israelita, a convicção de que o país deve preparar-se para uma fase prolongada de guerra interna. Por duas razões: porque o governo parece entender que a linha dura que inaugurou desde que chegou ao poder é para manter; e porque sabe que essa linha dura determina uma resposta igualmente musculada do lado dos palestinianos.

Numa nota à parte, os jornais israelitas chamavam a atenção para o facto de a reunião de alto nível convocada pelo primeiro-ministro ter contado com a presença do ministro da Defesa, Yoav Gallant, do ministro de Assuntos Estratégicos, Ron Dermer, de altos oficiais militares e de segurança, mas não do ministro da Segurança Nacional, o extremista de direita Itamar Ben Gvir – alvo de forte contestação interna mas também externa.

Esta tarde, as Forças de Defesa de Israel afirmaram ter atingido uma célula de mísseis guiados antitanque perto da cidade de Khan Younis, no sul da Faixa de Gaza. Segundo algumas fontes palestinianas não confirmadas dois membros da Jihad Islâmica terão sido mortos em mais este ataque.

Entretanto, o grupo libanês Hezbollah condenou os ataques “traiçoeiros” dos israelitas que mataram três altos membros da Jihad Islâmica Palestina em Gaza: “Os ataques bárbaros do inimigo sionista que visaram combatentes da liberdade e mulheres e crianças é um crime contra a humanidade”, disse o grupo em comunicado. O Hezbollah também declarou a sua “completa solidariedade com os nossos irmãos da Jihad e o nosso apoio a todas as medidas tomadas pela liderança” do movimento.

O Ra’am, partido israelita da oposição Ra’am e o Movimento Islâmico do Sul denunciam os ataques israelitas como uma forma de aliviar a tensão no seio das lutas internas na própria coligação, precisamente entre Benjamin Netanyahu e o ministro Itamar Ben Gvir. “Denunciamos o ataque do governo Netanyahu-Ben Gvir às casas de famílias com mulheres e crianças para resolver uma crise da coligação”, disse o partido em comunicado.

Do exterior também chegaram vários protestos. A Turquia condenou Israel pelos ataques aéreos noturnos a Gaza. “Tais ações desprezíveis não são aceitáveis ​​de forma alguma”, disse o Ministério das Relações Exteriores da Turquia em comunicado. “Esperamos que esses ataques acabem imediatamente, sem mais perdas de vidas e sem causar uma nova espiral de violência na região.”

O Qatar também endereçou pública denúncia da atuação do governo israelita. Em comunicado, o Ministério dos Negócios Estrangeiros da monarquia árabe chama os ataques “um novo episódio na série de horríveis crimes de ocupação contra o povo palestiniano indefeso, especialmente mulheres e crianças”. Doha também adverte “sobre a diminuição das possibilidades de paz e o aumento do ciclo de violência devido à provocação israelita”, enquanto exorta a comunidade internacional “a agir com urgência para fornecer a proteção necessária ao povo palestiniano e obrigar Israel a parar as suas flagrantes violações do direito internacional”.

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