Desenvolvimentos diplomáticos recentes levaram a uma “conjuntura potencialmente importante” nos esforços para avançar no processo político na Síria, de acordo com o enviado especial da ONU para aquele país do médio Oriente. “Esta atenção renovada na Síria é muito importante se poder ser usada para atuar como um desbloqueador de esforços há muito parados para desenvolver o processo político“, disse, citado pelas agências internacionais, Geir Pedersen ao Conselho de Segurança da ONU.
A atenção diplomática renovada sobre a Síria após os terremotos de 6 de fevereiro, referindo-se ao processo de Astana (Rússia, Turquia e Irão), mas principalmente a abertura dos países árabes face ao regime sírio, são os dois focos que Geir Pedersen referia.
Depois da tragédia de 6 de fevereiro, o líder do regime, Bashar al-Assad, concordou em abrir passagens de fronteira adicionais para a ajuda internacional passar da Turquia para o noroeste da Síria, controlado pela oposição, enquanto os Estados Unidos e os países europeus suspenderam ou desativaram algumas das sanções impostas a Damasco.
Nas últimas semanas, a Arábia Saudita (e a Liga Árabe), que já apoiou grupos de oposição sírios que lutaram para derrubar al-Assad, enviou o seu ministro das Relações Exteriores, o príncipe Faisal bin Farhan, a Damasco, pela primeira vez desde que o reino cortou relações com o regime síria, há mais de uma década.
Al-Assad, com a ajuda de seus principais aliados, Irão e Rússia, recuperou o controlo de grande parte da Síria – nomeadamente depois de fazer eleger para mais um mandato presidencial – mas o país caiu no esquecimento da grande maioria dos países, principalmente no Ocidente. Mas a Arábia Saudita terá acabado por concluir que o isolamento não está a funcionar.
“A atenção renovada na Síria pode ajudar os nossos esforços em promover uma solução política para este conflito de acordo com a Resolução 2254″, disse Pedersen. “Mas para que essa atenção renovada ajude a desbloquear o progresso, muitos atores precisarão de tomar medidas concretas”, adiantou ainda.
A ONU recorda, por outro lado, que a atual escala de necessidades humanitárias na Síria é “sem precedentes” e os terremotos de 6 de fevereiro adicionaram mais mortes e destruição ao norte do país, já desgastadas por mais de uma década de guerra civil. “Mesmo antes do terremoto, 15,3 milhões de pessoas – mais da metade da população total – precisavam de assistência humanitária e proteção. Esse número só tende a crescer”, disse Lisa Doughten. Responsável da ONU, citada pelas mesmas fontes.
O embaixador turco na ONU, Sedat Onal, também apontou sinais crescentes da tendência para um maior envolvimento na região após o desastre. “Pensamos que todas as iniciativas são importantes e valiosas, desde que sejam parte integrante de uma abordagem coordenada para se encontrar soluções viáveis para os problemas existentes por meio de um processo político confiável”, disse, citado pelos jornais turcos.